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Posts Tagged ‘Vitor Amorim’

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Foi ótimo o show do REM no Rio de Janeiro, neste último sábado, dia 8. A banda tocou 25 músicas em cerca de duas horas de apresentação eficiente, com um rock básico e empolgante. Só não foi melhor porque a HSBC Arena não estava com sua lotação esgotada, o que sempre esfria um pouco as coisas. Deu até um certo pesar ver tantas cadeiras vermelhas vazias nos setores mais altos – o grupo merecia ver o lugar botando gente pelo ladrão. Mas eles são politizados o bastante para saber que está difícil para o brasileiro comprar ingressos tão caros.

Sorte nossa esta ser a turnê do álbum Accelerate, que é recheado de boas canções. As novas Man-sized wreath, Hollow man e Supernatural superserious soam tão boas quanto os antigos sucessos. Os velhos hits também estavam lá, maravilhosamente bem executados: What’s the frequency Kenneth?, Drive, Imitation of life (a mais emocionante para mim, por motivos pessoais), The one I love, Bad day, Orange crush, It’s the end of the world as we know it (and I feel fine) (em sua versão original, felizmente, não no estilo banquinho e violão que eles tocaram no Rock in Rio 3), Losing my religion (cantada pelo público de cabo a rabo), Everybody hurts (linda), Night swimming (lindíssima) e Man on the moon (a saideira).

Tudo muito competente e acolhedor, sem baboseiras. A única firula era o grande telão JumboTron que servia de cenário, onde eram projetadas imagens do show, capturadas e transmitidas em tempo real, mas com uma edição de corte magnífica e cheia de efeitos bem transados e ao vivo.

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Vestindo paletó, jeans, camisa e gravata escuros, Michael Stipe vez por outra se posicionava na beira do palco, pedindo louvor à sua imagem. Houve um momento em que ele desceu ao fosso e se ofereceu à platéia, de ponta a ponta do gargarejo, entregue a apertos de mão, carinhos na careca e gestos mais apaixonados de fã. Lá pelas tantas, Stipe comemorou a eleição de Barack Obama à presidência dos EUA: “Eu sei que vocês já ouviram falar o bastante sobre isso nos últimos três dias, mas é que nós estamos muito, muito felizes por Obama ter sido eleito”, ele disse, enquanto imagens do futuro presidente eram projetadas no telão.

Quando a banda deixou o palco para o protocolar intervalo que antecede o bis, bilhetinhos escritos em português foram exibidos no telão, com dizeres engraçadinhos que estimulavam a platéia a implorar pela volta da banda. Um deles dizia “Não estamos ouvindo vocês”. Claro que eles voltaram. Stipe chegou com uma lata de cerveja Itaipava em punho, dizendo ser muito boa e tentando pronunciar o nome da marca. Agradeceu e pediu aplausos a Fernando Magalhães, guitarrista do Barão Vermelho, pelo seu (dinossáurico) show instrumental de abertura. Stipe também recomendou que todos passassem no estande da Anistia Internacional que estava montado lá fora. Esse é o REM: pé no chão, consciente, educado e boa praça.

Peter Buck, o guitarrista, mandou bem lá no seu cantinho, cheio de dinossauros de brinquedo, que ele gosta de ter por perto. E Mike Mills, o baixista e eventual tecladista, é, sem dúvida, o mais simpático da banda, tanto que fez questão de ir ao fosso cumprimentar os fãs no fim do show, quando todos os outros músicos já estavam nos bastidores. Bill Rieflin (bateria) e Scott McCaughey (guitarra e o que mais vier) também são ótimos, mas fica evidente que eles são músicos contratados, não fazem parte do REM.

Tomara que voltem de novo!

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[Fotos: a primeira é de Vitor Amorim; as outras são de Isac Luz]

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