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Posts Tagged ‘videoclipe; violência’

Nos primórdios do videoclipe, a violência só se fazia presente nas letras das músicas, quando muito. Pouco a pouco, ela foi dando as caras, sugerida aqui e ali para contextualizar mensagens de paz. Até que a sugestão deu lugar à apelação. O engajado passou a conviver com o gratuito. E o protesto sucumbiu ao entretenimento. Arte? Liberdade de expressão? Abuso? Depende do caso. O fato é que a violência hoje está mais presente do que nunca nos videoclipes, dos mais deploráveis aos mais geniais. A lista abaixo traça uma linha cronológica das primeiras ocorrências significativas de violência em clipes musicais até os abundantes casos mais recentes, em uma vasta variedade de exemplos que vai do sublime ao ultrajante, do óbvio ao alegórico.
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1983: Beat it, Michael Jackson
Amarrados um ao outro, integrantes de gangues rivais duelam com canivetes. A luta chamou atenção, mas não chocou, porque tudo era coreografado como em um número musical de Amor, Sublime Amor (West Side Story). E no fim a paz é selada por uma coreografia. That’s entertainment! Assista!
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1989: Like a prayer, Madonna
Uma mulher é atacada por três homens. É tudo rápido, nada explícito. Nem fica claro se ela é apenas ferida ou se é estuprada e morta. O que importa é a mensagem contra o preconceito: quem leva a culpa é o inocente negro, enquanto os bandidos brancos escapam impunes. Assista!

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1992: Jeremy, Pearl Jam
Clipe inspirado no caso real de um adolescente que se matou em sala de aula. A versão original do vídeo, pouco vista, mostra o personagem principal enfiando um revólver na boca, sugerindo o suicídio. Mas a MTV suprimiu esse take e levou todo mundo a achar que ele mata os colegas. Assista!

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1992: Pinion, Nine Inch Nails
Um homem está completamente imobilizado, com a boca atada a uma tubulação de esgoto, obrigado a engolir o que desce de uma privada descarga abaixo. A coisa começa a ficar séria. Com visual moderninho, o vídeo é adaptado para uma vinheta da MTV, cortando a parte violenta. Assista!

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1992: Happiness in slavery,
Nine Inch Nails

Um homem nu se deixa aprisionar por uma máquina de tortura. Ele sente grande prazer enquanto o aparelho retalha seu corpo até a morte. Closes mostram uma garra metálica machucando sua genitália. Assista!
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1993: Prison sex, Tool

Clipe de animação feito com bonecos. É uma alegoria do abuso sexual de crianças. Embora seja artisticamente primoroso e trabalhe apenas com a sugestão de forma surrealista, a mensagem é clara e incômoda. Assista!

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1994: Sabotage, Beastie Boys
Sátira aos filmes B policiais dos anos 70. A violência aqui é sempre ridícula, para fazer rir entre clichês, caracterizações toscas e efeitos especiais sofríveis. Este clipe é figurinha fácil nas listas dos melhores de todos os tempos. Assista!

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1995: The thunder rolls, Garth Brooks
Depois de apanhar do marido, mulher o mata na frente da filha pequena. A esposa começa como vítima, torna-se assassina e acaba presa. O que Janie’s got a gun, do Aerosmith, apenas dava a entender em 1989 é explícito aqui. Assista!
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1996: Woman, Neneh Cherry
Obra prima em que a violência e outros vícios são revelados apenas por mímica. Um crime estúpido é mostrado sem ser mostrado de fato. Assista!

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1997: Smack my bitch up, The Prodigy
Clipe inovador em que o público vê tudo pelo ponto de vista de um determinado personagem. Na versão original, ele cheira pó, usa droga injetável, arruma briga numa boate, molesta mulheres, se embriaga, transa com uma prostituta e atropela uma pessoa. No fim, uma surpresa. Assista!
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1998: Turn the page, Metallica
Prostituta recebe cliente em casa e apanha dele na cama. A filha pequena dela está por ali tentando dormir, mas não consegue, por causa do barulho perturbador de sexo com violência, embora isso seja rotina ali. O clipe é bem realista, mas parece tentar propor uma reflexão. Assista!

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2000: Minha alma (a paz que eu não quero), O Rappa
Mostra a paz de uma favela dando lugar a uma explosão de violência. O ápice é quando um policial leva um homem desarmado para trás de um carro e o mata a queima-roupa, do mesmo jeito como já vimos várias vezes nos telejornais. Assista!

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2000: Blood freak, Necrophagia
Este é o clipe mais violento, explícito, perturbador e despropositado jamais feito. Homem assassina casal de namorados, estraçalha o corpo dela, devora algumas partes e depois se masturba e ejacula sobre o rosto desfigurado da vítima. Recomendo não assistir, mas está aqui o link do vídeo.
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2003: Wake me up when september ends, Green Day
É o mais famoso dos muitos clipes feitos na época para criticar o belicismo do governo George W. Bush. Cenas de guerra ilustram o medo de uma geração se perder em um novo Vietnã. Assista!
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2005: All about us, t.A.T.u.
Uma das garotas desta dupla russa aparece sendo gravemente agredida por um homem, em uma noite que deveria ser de sexo casual. Para não morrer, ela o mata. É a mesma história de sempre sendo repetida de forma cada vez mais óbvia. Assista!
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2007: Fluorescent adolescent,
Arctic Monkeys

Palhaços e homens à paisana tentam matar uns aos outros, e um deles acaba conseguindo. Ele questiona: “Como pudemos chegar a este ponto?” Seria uma proposta de reflexão sobre o avanço da violência? Assista!
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2008: Stress, Justice
Uma gangue aterroriza a periferia de Paris. Eles quebram tudo e provocam cidadãos comuns em um mundo sem polícia. Os agressores acabam engolidos pela própria violência. Assista!
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2008: Beliy Plaschik, t.A.T.u.
Condenada à morte, uma mulher grávida de oito ou nove meses é fuzilada pelo Estado. Um detalhe final dá a entender que ela era inocente, mas é tarde demais. Este clipe é um protesto contra a pena de morte. Assista!
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2009: Flash lights,
Kanye West feat. Dwele

Com muito glamour e sensualidade, um homem amarrado e amordaçado dentro de um porta-malas é assassinado a golpes de pá por uma linda mulher. E ponto final. O propósito parece ser apenas glamorizar a violência. Assista!
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2009: We are water, Health
Mocinha esquisita é perseguida por um homem. Quando ele a alcança e se posiciona para matá-la com um facão, ela vira o jogo ao cravar um graveto em seus testículos. Ela o desarma e o decapita, gargalhando aliviada ao sentir o sangue do algoz banhar sua face. Assista!
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2009: Running to the edge of the world, Marilyn Manson
O roqueiro mais maquiado do século 21 surra uma mulher até a morte neste clipe. A violência começa com socos e termina com cortes de gilete, apenas para escandalizar. Assista!
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2009: Wrong, Depeche Mode
Um homem acorda sozinho, amarrado, amordaçado e mascarado dentro de um carro em movimento na marcha à ré. Enquanto ele tenta se libertar, colisões e atropelamentos acontecem. Trata-se de uma violência cruel, cujo autor e seus motivos jamais conheceremos. Assista!
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2010: Window seat, Erykah Badu
A cantora tira a roupa pela rua, deixando os transeuntes chocados. Nua, ela tomba “morta” no asfalto, “atingida” por um tiro. Embora Erykah seja uma artista séria e diga que o clipe é um protesto contra o pensamento de grupo, não convenceu. Assista!
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2010: Telephone, Lady Gaga
Duas presidiárias saem na porrada, para tédio de algumas detentas e diversão de outras. Lady Gaga também está na cadeia e, assim que ganha a liberdade, ela mata todos os clientes de uma lanchonete por envenenamento. E depois dança entre os cadáveres. Assista!
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2010: Born free, M.I.A
O clipe alerta para um futuro possível, em que o exército dos EUA mata cidadãos americanos por motivos absurdos. Jovens são exterminados apenas por serem ruivos. É impactante vê-los explodindo em câmera lenta. Mas o recado é mais forte que a violência explícita. O mundo parece já estar acostumado. Assista!

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