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Posts Tagged ‘Teatro’

Um dos projetos do americano David Leventi é fotografar as mais lindas casas de ópera do mundo. Em geral, ele mostra as opera houses pelo lado de dentro, do ponto de vista de quem está no palco. Ver suas fotos dá vontade de se teletransportar para cada uma delas imediatamente. Veja mais no site de David Leventi.

Cuvilliés Theatre – Munique – Alemanha

Hungarian State Opera House – Budapeste – Hungria

La Fenice – Veneza – Itália

La Scala – Milão – Itália

Margravial Opera House – Bayreuth – Alemanha

Opéra de Monte Carlo – Monte Carlo – Mônaco

Palais Garnier – Paris – França

Palais Garnier – Paris – França

Palau de la Música Catalana – Barcelona – Espanha

Romanian Antheneum – Bucareste – Romênia

Royal Swedish Opera – Estocolmo – Suécia

Teatro Amazonas – Manaus – Brasil

Teatro Comunale di Bologna – Bolonha – Itália

Teatro di San Carlo – Nápoles – Itália

Teatro Municipale – Piacenza – Itália

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Para quem conhece os espetáculos teatrais da Cia. PeQuod, é inacreditável que o trabalho desse grupo carioca não seja nacionalmente famoso. Assistir às suas peças é sempre uma experiência encantadora e surpreendente, diferente de tudo que já se viu. Com sua nova montagem, Marina, em cartaz no Teatro 3 do Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, eles maravilham o público mais uma vez. Porém, a julgar pela pouca repercussão que o espetáculo teve na imprensa, tudo indica que ainda não será agora que a PeQuod gozará do reconhecimento que merece, para além dos prêmios, editais e patrocínios que conquista rotineiramente.

Marina é uma adaptação do conto A sereiazinha (ou A pequena sereia), de Hans Christian Andersen. Quem só conhece a versão da Disney talvez se assuste ao descobrir que a história, originalmente, é uma tragédia nada fofa sobre uma sereia que abre mão de coisas demais em nome de seu amor por um homem. Ainda que seja teatro de bonecos, Marina é para adultos.

Boa parte da peça se passa dentro d’água, com bonecos deslumbrantes sendo manipulados com maestria no interior de quatro grandes aquários e de uma pequena piscina. A delicadeza, o colorido e os movimentos orgânicos das sereias impressionam pela realização perfeita, combinando técnica e ineditismo.

Como já é característico das montagens da Cia. PeQuod, teatro tradicional e teatro de animação se alternam e se complementam em Marina, explorando o melhor de dois mundos para construir uma narrativa tão rica em recursos quanto coesa. Cerca de 15 músicas de Dorival Caymmi são cantadas ao vivo e ajudam a contar a história, casando perfeitamente com cada trecho do conto de Andersen, como se tivessem sido compostas para ele.

O elenco se sai muito bem na árdua tarefa de interpretar, cantar, manipular e fazer contrarregragem ao mesmo tempo (um dos atores ainda toca guitarra e outro assume a iluminação em alguns momentos!). Até há os que cantam melhor do que atuam e vice-versa, mas o resultado é coeso, sem altos e baixos, com o grupo se sobressaindo aos indivíduos. Liliane Xavier, Mariana Fausto, Mona Vilardo, Leandro Muniz, Márcio Nascimento e Miguel Araújo formam um elenco que funciona como um organismo único, ainda que cada um tenha seu próprio papel e seu momento de destaque. É um esforço coletivo raro e bonito de ver.

O cenário de Carlos Alberto Nunes parece simples, mas, na verdade, é uma realização sem igual. Trata-se de um “pequeno” e versátil colosso de quatro toneladas de madeira, vidro e água que se estende por três ou quatro patamares e contém pelo menos oito ambientes diferentes. É um dos grandes trunfos de Marina – e é também o que deve inviabilizar sua ida para outras cidades.

A luz de Renato Machado é repleta de nuances e detalhes, fundamental para a narrativa e para a composição dos ambientes. Os figurinos de Daniele Geammal funcionam muito bem – são “invisíveis” quando o foco está nos bonecos, adequados e convincentes quando o foco está nos atores, contribuindo para a integração de ambos. A direção musical de Fabiano Krieger renova e valoriza o cancioneiro de Caymmi. E a preparação vocal de Doriana Mendes contribui muitíssimo para o equilíbrio de um elenco que mistura cantores experientes, atores que cantam ocasionalmente e atores que nunca cantaram, uma variedade de matizes que foi transformada em trunfo no lindo número musical Sargaço mar, por exemplo. Os bonecos, esculpidos por Bruno Dante e confeccionados por grande equipe, são primorosos, mas, infelizmente, só podem ser admirados em toda sua beleza se vistos de perto, o que não é possível durante o espetáculo.

E o diretor Miguel Vellinho é o grande maestro a orquestrar tantos talentos e recursos artísticos diferentes para a criação de um espetáculo único. Ele assina a dramaturgia e faz com que Andersen e Caymmi pareçam velhos parceiros de trabalho. Especialista em confecção e manipulação de bonecos, Vellinho aponta o teatro de animação como uma possível ferramenta para a renovação do teatro como um todo. Ele põe cantores para interpretar, atores para cantar e todos para manipular bonecos. O diretor ainda se dá o luxo de adaptar para o teatro recursos narrativos importados da edição de cinema. E se em A chegada de Lampião no inferno, seu espetáculo anterior, a contrarregragem era evidente e intensa, Vellinho conseguiu torná-la imperceptível em Marina, ainda que ela seja onipresente no palco.

Ao fim do espetáculo, a maioria das pessoas vai embora sentindo-se leve e absolutamente encantada com o visual, com a técnica e com o uso criativo das velhas canções de Caymmi. Mas também há uma pessoa ou outra que sai deprimida, por descobrir que a história não é como a Disney contou. Só não há quem não saia com a certeza de que nunca viu nada igual.

* Cuidado para não fazer confusão: Marina é espetáculo adulto, em cartaz de quarta a domingo às 20h; já Marina, a sereiazinha, é a versão infantil da mesma peça, apresentada pela Cia. PeQuod no mesmo teatro, somente aos sábados e domingos, às 17h.

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O álbum American idiot, do Green Day, sempre foi alardeado como uma ópera rock. Pois agora o disco virou peça de teatro musical na Califórnia, montada pelo Berkeley Repertory Theatre. Veja o trailer:

[Via G1]

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Primeiras Rosas 1

Primeiras rosas, espetáculo que marca os 25 anos da companhia paulista de teatro Pia Fraus, é imperdível para uma série de públicos. A quem desconhece o que seja teatro de animação, a peça apresenta diversas técnicas possíveis dessa arte tão plural, como sombras, manipulação direta e projeção ao vivo de vídeo. Para aqueles que ainda pensam que teatro de bonecos é coisa de criança, a montagem surpreende pela densidade e pela narrativa não-convencional. Estudantes e pesquisadores de artes dramtáticas se deparam com um rico banquete de possibilidades cênicas. Mestrandos de literatura comparada podem se deliciar com uma adaptação incomum de 4 contos de Guimarães Rosa, publicados originalmente no livro Primeiras Estórias. E os professores do Ensino Médio não deveriam desperdiçar esta chance de apresentar Rosa a seus alunos sob uma ótica diferente.

Cada um dos 4 contos escolhidos foi adaptado e dirigido por um diretor diferente. Esta opção, que poderia originar uma peça irregular, acabou resultando em um espetáculo rico. Alexandre Fávero, da companhia gaúcha Lumbra, ficou com o conto As margens da alegria, usando o teatro de sombras de forma deslumbrante e encantadora para contar a história de um menino da cidade grande que descobre a natureza na fazenda de um parente. Carlos Lagoeiro, do Teatro Munganga, companhia baseada em Amsterdã, impressiona ao usar vídeo ao vivo e manipulação direta para recriar no palco um bombardeio inspirado no conto O cavalo que bebia cerveja. Miguel Vellinho, da carioca Cia. PeQuod, mistura bonecos e atores em sua versão de A terceira margem do rio, grandiosa em ideias e em imagens (apresentadas ou sugeridas) ao falar de um homem que abandona a família para ir morar sozinho em uma canoa. Já Wanderley Piras, da paulista Cia. da Tribo, oferece teatro de bonecos mais convencional, e com resultado menos satisfatório, com sua adaptação de Sequência, a história de uma vaca fujona.

Em livro, os contos de Gimarães Rosa são lindos e profundos na investigação da complexidade humana. No palco, a Pia Fraus mantém sua qualidade e os apresenta de forma tão rica e original, que chega a ser tolo pensar em comparar os textos originais com a peça.

Primeiras rosas, entretanto, não é espetáculo que vá agradar a todos os públicos. Para muita gente, ele pode resultar enfadonho – apesar da curta duração de 70 minutos – ou complicado.

A peça fica em cartaz somente até hoje no Teatro do SESI, na Avenida Paulista, em São Paulo.
Primeiras Rosas 2

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Augusto Boal (1931-2009)

augusto-boal

Augusto Boal morreu ontem e merece que sua obra e suas conquistas sejam lembradas. A lista, desta vez, não vem em ordem de importância:

 

direcaoDireção: Como diretor, Boal esteve à frente de grupos como Arena, Oficina e A Barraca. Dirigiu O noviço, de Martins Pena (1963); Um bonde chamado desejo, de Tennessee Williams (1963); Tartufo, de Molière (1964); Fedra, de Racine, com Fernanda Montenegro (1986); A mandrágora, de Maquiavel (1963); Encontro marcado, de Fernando Sabino (1989) e tantas outras peças.

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dramaturgiaDramaturgia: Boal foi um dos principais dramaturgos dos anos 60. Como autor, nos deixou José, do parto à sepultura (1961); Revolução na América do Sul (1961); Torquemada (1971); Mulheres de Atenas (adaptação de Lisístrata, de Aristófanes, com músicas de Chico Buarque, 1977); Murro em ponta de faca (1978); O corsário do rei (de sua autoria, com letras de Chico Buarque e música de Edu Lobo, 1986).

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teatro-do-oprimido1Teatro do Oprimido: Com esta sua criação, estudada e difundida no mundo todo, Boal usou o teatro como ferramenta de emancipação política, inclusão social, tratamento da saúde mental, educação e melhoria do sistema prisional.

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teatro-de-arenaTeatro de Arena: A companhia teatral que fez história no Brasil teve Boal como um de seus principais integrantes, entre 1956 e 1970. O grupo deu visibilidade à produção nacional, importou teorias e métodos estrangeiros que revolucionaram o fazer teatral e usou a arte como instrumento de resistência política quando o Brasil mais precisava.

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seminario-de-dramaturgiaSeminário de Dramaturgia: Criado no Teatro de Arena por sugestão de Boal, o seminário revelou, nos anos 50 e 60, diversos novos autores nacionais, a começar por Oduvaldo Vianna Filho, com sua peça Chapetuba Futebol Clube, montagem que fez história em 1959.

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opiniaoOpinião: Boal dirigiu o show Opinião, estrelado por Zé Kéti, João do Vale e Nara Leão, depois substituída por Maria Bethânia. O espetáculo – marco de nossa história teatral, musical e política – abriu os olhos de parte da elite para as mazelas sociais do Brasil, jogou luz à música feita nos morros, revelou Bethânia e deu origem ao Grupo Opinião.

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musicais-politicosMusicais políticos: A partir de Opinião, Boal realizou uma série de musicais que partiam de fatos históricos do passado para protestar contra a política do presente, em tempos de ditadura e tortura. Dirigiu Arena conta Zumbi (1965), Arena conta Bahia (com direção musical de Gilberto Gil e Caetano Veloso, e Maria Bethânia e Tom Zé no elenco) e Arena conta Tiradentes (1968).

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ensaioEnsaio: Boal também deixa como herança seu trabalho como pensador do teatro. Entre seus livros estão Técnicas latino-americanas de teatro popular (1975), O arco-íris do desejo: método Boal de teatro e terapia (1990), Teatro legislativo (1996)  e 200 exercícios para o ator e o não-ator com vontade de dizer algo através do teatro (1977).

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teatro-legislativoPolítica: Nos anos 90, como vereador eleito do Rio de Janeiro, Boal pôs em prática seu Teatro Legislativo, que gerou vários projetos de lei a partir da intrervenção dos espectadores em solenidades simbólicas. O eleitor virava legislador. Entre 1993 e 1996, 14 desses projetos tornaram-se leis municipais.

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interpretacaoInterpretação: Boal contribuiu para uma elevada melhora da qualidade de interpretação dos atores brasileiros ao criar diversos exercícios de palco, importar o método Stanislavski e adotar o sistema curinga, em que todo o elenco de uma peça se reveza em seus vários papéis.

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Quem já conhece o maravilhoso teatro feito pela Cia. PeQuod, do diretor Miguel Vellinho, já sabe o que esperar de sua nova montagem, A chegada de Lampião no inferno, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro: muita criatividade, soluções cênicas inventivas, visual inesquecível, referências culturais diversas, bonecos e elementos de cena que dão vontade de levar para casa e uma encenação com a consistência de quem pesquisa e experimenta bastante antes de oferecer o resultado final ao público.

Tem sido sempre assim: os bonecos usados em cena são lindos; a cenografia de Carlos Alberto Nunes é marcante e cheia de surpresas, indispensável para a história; a luz de Renato Machado é complexa, dramática, refinada e digna de prêmios; e o diretor Miguel Vellinho se mostra um verdadeiro maestro na arte de reger e dar unidade à enorme quantidade de elementos em jogo. É um tipo positivo de mesmice, digamos assim.

Na primeira parte de A chegada de Lampião no inferno, é contada a trajetória do famoso cangaceiro, de forma bastante breve, mas inventiva, com o teatro de animação dialogando o tempo todo com o ofício dos artesãos nordestinos que eternizam a imagem de Lampião em pequenas esculturas de argila pintadas em cores chamativas. Na verdade, o verdadeiro homenageado da peça não é Virgulino Ferreira, mas Mestre Vitalino, ceramista pernambucano cuja obra é um grande tesouro brasileiro.

Para contar essa história, a Cia. PeQuod se utiliza de toda uma nova leva de encantadores truques cênicos – uma de suas marcas registradas – e também da soberba voz do ator Othon Bastos, que gravou narrações e poemas especialmente para a peça. A narrativa ganha tom mais documental quando se ouve o depoimento histórico de uma sobrevivente do massacre ao bando de Lampião, momento de realidade que só faz abrilhantar o espetáculo.

A segunda parte da peça é a propriamente dita chegada de Lampião ao inferno, fantasia inspirada nos tantos cordéis que abordam esse tema. Curiosamente, é nesse ponto, quando a história ganha ares de fábula, que os bonecos cedem espaço aos atores. Aqui, o elenco fica em foco e mostra de forma mais clara que são atores de verdade, não apenas manipuladores e contrarregras, como pode parecer aos olhos menos atentos.

A trilha sonora, feita por André Abujamra especialmente para A chegada de Lampião no inferno, é ótima, com personalidade, forte, de sonoridade moderna, ainda que tenha as tradições nordestinas em seu DNA. Talvez a música mais marcante seja a que invoca o zumbido de moscas e gritos, para pontuar a cena que mostra um menino encontrando os cadáveres de sua família. Em paralelo, há a direção musical de Thiago Picchi, muito hábil em transformar o trabalho dos artesãos pernambucanos em música, tendo apenas os elementos de cena como instrumentos, à exceção de um acordeon e de uma flauta – tocada por ele mesmo enquanto ator.

Como em todas as peças da Cia. PeQuod, o público sai de A chegada de Lampião no inferno com várias imagens na cabeça. Há grandes chances de você nunca se esquecer do monstro de três cabeças (o Cérbero da mitologia), do Diabo sentado em seu trono, do momento em que a oficina de cerâmica se transforma no inferno, da figura do Porteiro (guardião da chave das profundezas, interpretado pela sempre ótima Liliane Xavier) e de Lampião (Gustavo Barros, maior destaque do elenco nesta montagem) sendo engolido pelo barro.

São tantos detalhes dignos de nota, que é impossível lembrar agora de todos. Melhor você ir lá e assistir. A Cia PeQuod faz teatro do melhor sem ser convencional.

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O auge de uma história de traição é, normalmente, a descoberta da infidelidade por parte do traído. Não é assim na peça Traição, de Harold Pinter, em cartaz no Solar de Botafogo, no Rio de Janeiro, em montagem dirigida por Ary Coslov. Nesse texto primoroso, a revelação é o de menos, e o traidor é que é sempre o último a saber.

A história é contada de trás para frente, o que torna tudo mais interessante e surpreendente. Poderia ser tolo e previsível, se considerarmos que todo caso de traição conjugal é precedido de circunstâncias semelhantes. No entanto, Pinter usa o óbvio apenas como um esqueleto para a história, hábil em abordar temas como hipocrisia, cinismo, culpa, moral, mentira e o modo como os relacionamentos vão da atração física à indiferença, passando pelo amor.

Os diálogos são muito bons e econômicos, sem barrigas. Toda palavra dita ajuda a construir os personagens e a conduzir a história.

Tudo se concentra sobre o triângulo amoroso em questão: Emma, que é amante de  Jerry, o melhor amigo de seu marido marido, Robert. O espectador acompanha a trama desde muito tempo depois do rompimento do caso extraconjugal até o excitante início do mesmo, do final para o começo. E não há possibilidade de o público se confundir com o rumo invertido da história.

Os atores estão todos muito bem: Isabella Parkinson (Emma), Isio Ghelman (Jerry) e Leonardo Franco (Robert). Este último até foi indicado ao prêmio Shell por esse papel, mas isso não significa que ele brilhe mais que seus companheiros de palco. O talento do trio está igualmente equilibrado entre seus vértices.

Se o texto descarta qualquer excesso, prezando pela concisão, a montagem inteira é igualmente precisa, graças ao diretor Ary Coslov, também indicado ao Shell. Tudo no palco está na medida certa, sem firulas: as interpretações, o figurino de Rô Nascimento, a luz de Aurélio de Simoni e o cenário de Marcos Flaksman (outra das três indicações da peça ao Shell).

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