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Posts Tagged ‘Prodigy’

prodigysmackmybitchupvideo3Lançado em novembro de 1997, o clipe de Smack my bitch up, do Prodigy, foi banido no mundo quase inteiro, por conta de imagens explícitas de sexo, drogas, violência e escatologia. Mas o vídeo está longe de ser apenas apelativo. Sim, há imagens de brigas gratuitas, um homem sendo chutado na barriga, mulheres sendo agarradas à força, mulheres inteiramente nuas dançando de forma sensual ou levando banho de champanhe nos seios, roubo de carro mostrado como uma aventura, vômito jorrando, uma fileira de cocaína sendo cheirada, cenas de sexo, pessoas usando o vaso sanitário, prostituição… Tudo isso e mais alguma coisa. No entanto, nada é gratuito. Essas imagens se sucedem de modo a construir uma narrativa que, ao final, deixa o espectador perplexo com a constatação de que ele pode ser facilmente manipulado com base em seus conceitos e pré-conceitos de gênero.

O clipe, dirigido pelo sueco Jonas Akerlund, mostra o ponto de vista de uma pessoa ao longo de uma noitada, como se pudéssemos enxergar com seus olhos. Esse personagem se arruma em casa para sair, vai a algumas boates, toma todas, apronta muitas, cheira uma e agarra várias mulheres – umas o rejeitam com asco, outras são receptivas. A visão do personagem vai ficando distorcida conforme as drogas e a bebida vão fazendo efeito. Uma edição frenética e fragmentada dá conta de ilustrar sua euforia. No fim, ele leva uma prostituta para casa, transa com ela e acaba apagando na cama, totalmente chapado. Mas, antes do fim do videoclipe, por um breve instante, vemos seu reflexo no espelho. E vem a grande surpresa: não é um homem; é uma mulher!

E por que o espanto? Por que não seria uma mulher? Só porque ela gosta de outras mulheres, se droga, comete crimes e arruma briga? E não é apenas uma mulher – é uma mulher linda, gostosa, ainda que detonada pelos excessos. Ao longo do clipe, a personagem é associada a vários elementos. Alguns deles, costumamos considerar masculinos, como a violência e o assédio sexual grosseiro a mulheres. Outros, normalmente vemos como femininos (os pés delicados da personagem, sua cama forrada de cetim rosa-choque). Mas é o olhar masculino que predomina.

A verdade é que o mundo não é tão simples assim. Quando a personagem aparece manuseando creme de barbear, imaginamos que é um homem a fazer a barba. Por que não pensamos que é uma mulher a se depilar? Ao vermos um DVD pornô lésbico no chão, por que pensamos que é coisa de homem heterossexual, e não de mulher homossexual? Quando um homem sorri para ela, por que deduzimos que o sujeito é gay e está de olho em outro homem? Por que uma mulher não pagaria uma prostituta para fazer sexo com ela?

A MTV considera Smack my bitch up o clipe mais polêmico de seu acervo, tendo-o vetado de sua programação, mas não deixou de premiá-lo com os troféus de melhor clipe dance e clipe mais inovador, em 1998. O vídeo havia sido indicado também para melhor edição e melhor direção. E a música, vale notar, também foi banida mundo afora, por ser considerada misógina.

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