Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘Peter Gabriel’

Kylie Minogue está com o rosto todo colorido na revista Instinct deste mês. Sua maquiagem me remeteu imediatamente a Björk, e então a Michael Stipe (REM), Secos e Molhados e tantos outros astros da música. A pintura facial é tão antiga quanto o homem e se presta a embelezar, reafirmar a identidade, estabelecer uma outra identidade (paralela ou substituta), diferenciar, comunicar ou assustar. Em suma: pinta-se o rosto para chamar atenção. É comum nas tribos indígenas e também nos palcos.

Kylie Minogue - Instinct MagazineKylie Minogue e sua maquiagem estilizada na capa da revista gay Instinct

 

Malu MagalhãesMalu Magalhães costuma pintar ela própria seu rosto para fazer seus shows. A cada apresentação, cria um desenho diferente.

 

Bjork 2Nas fotos de divulgação do álbum Volta, de 2007, Björk surgiu multicolorida, começando pelo rosto.

 

mareNa capa do álbum Maré, de 2008, Adriana Calcanhotto se pintou da maneira como imagina que seria o rosto de Tétis, deusa grega do mar

 

Michael Stipe - REMEm 2005, Michael Stipe cobriu parte do rosto de azul para o show do REM no evento Live Earth, em Londres.

 

Wes BorlandO guitarrista Wes Borland ganhou fama em 1997 como integrante da banda Limp Bizkit. A cada apresentação, ele adota uma nova pintura que o faz parecer um ser completamente diferente. Por conta disso, Borland era uma atração à parte nos shows. Mas não está mais no grupo.

 

Marilyn MansonMarilyn Manson ganhou fama em 1996, quando lançou o álbum Antichrist Superstar. O hit do disco era The beautiful people, seu protesto contra a ditadura da beleza. Desde então, o cantor usa maquiagem para chocar, se enfeiar ainda mais e, assim, garantir um lugarzinho exclusivo ao sol do showbiz.

 

Henry Rollins - LiarNo clipe de Liar (1994), Henry Rollins aparece vermelho como um demônio. Seu personagem mentiroso é praticamente a encarnação do mal, eventualmente disfarçado de policial bonzinho e super-herói.

 

Madonna - FeverMadonna não é de se pintar além da simples maquiagem. Mas ela apareceeu inteiramente prateada no clipe de Fever, em 1993.

 

Annie LennoxAnnie Lennox gosta de se pintar desde os tempos de Eurythmics, sua antiga banda. Em 1992, no show de tributo a Freddie Mercury, chamou atenção com um visual sombrio, arrrematado com uma pintura preta nos olhos.

 

Blue Man GroupO Blue Man Group foi criado em 1987. Desde então, seus integrantes se pintam de azul para percorrer o mundo em espetáculos experimentais de música e teatro.

 

Red Hot Chili PeppersNos anos 80, quando eram apenas uma banda alternativa promissora, os integrantes do Red Hot Chili Peppers já se pintavam, eventualmente, como na foto de cima, em que aparecem completamente coloridos ee irreconhecíveis. Mas a grande maioria do público lembra-se apenas de vê-los prateados no clipe de Give it away, de 1991.

 

Grace Jones by Keith Haring e Robert MapplethorpeNesta foto de 1984, Grace Jones é uma obra de arte viva, pintada por Keith Haring, adereçada com coroa e acessórios criados especialmente por David Spada e fotografada por Robert Mapplethorpe.

 

Dee Snider -Twisted SisterNos anos 80, era tão exagerada a maquiagem de Dee Snider, vocalista do Twisted Sister, que me parece sensato incluí-lo nesta galeria de caras pintadas. Ele era praticamente a Vovó Mafalda do metal.

 

siouxsie siouxA maquiagem de Siouxie Sioux, da banda inglesa Siouxie & The Banshees, sempre foi marcante, desenhada de modo a lhe conferir uma forma que vá além do meramente humano. Tem sido assim desde a virada dos anos 70 para os 80.

 

Roberto CarlosEm 1978, Roberto Carlos estreou sua turnê Palhaço, de grande sucesso. Ao fim de cada espetáculo, ele surpreendia a plateia ao voltar ao palco maquiado como palhaço para cantar O show já terminou.

 

Alice CooperAlice Cooper sem sua característica pintura ao redor dos olhos não é Alice Cooper, é Vincent Damon Furnier, o homem por trás do cantor-personagem.

 

Kiss 2Quando o Kiss se mostrou ao mundo, em 1974, seus inteegrantes já estavam de cara pintada, cada um encarnando uma peersona: Gene Simmons era The Demon, Paul Stanley era The Starchild, Peter Criss era The Cat, e por aí vai. Por muitos anos, seus verdadeiros rostos foram um grande mistério.

 

OsanaSurgida em 1972, a banda italiana Osanna também era adepta da pintura facial

 

Peter GabrielPeter Gabriel atravessou a década de 70 de ponta a ponta como um mutante, com uma cara nova a cada momento, encarnando os diversos personagens de suas canções. Primeiro, como vocalista do Genesis. Depois, como cantor solo. Mas sempre com forte teatralidade, marcada não apenas pela pintura, mas também por sua interpretação.

 

Secos e MolhadosEncabeçado por Ney Matogrosso, o grupo Secos & Molhados estreou em 1973 como um forte sopro de renovação no cenário musical brasileiro. A pintura teatral era apenas o lado mais evidente de sua ousadia. Há quem diga – inclusive Ney – que o Kiss imitou o visual do grupo. Porém, há registros de que a banda americana já se apresentava pintada em 1972.

 

David Bowie - Ziggy StardustSe for para encontrar um pioneiro, melhor ficar com David Bowie. Ele, sim, causou alvoroço ao se pintar para criar uma nova persona, Ziggy Stadust. O raio lhe atravessando o rosto, como na capa do álbum Aladdin Sane (1973), é a imageem mais emblemática, mas não a única. Foi nessa época que Bowie ganhou a alcunha de camaleão do rock. E fez história.

Anúncios

Read Full Post »

petergabrielsledgehammer

petergabrielsledgehammervideoNenhum videoclipe foi exibido tantas vezes pela MTV. Nenhum outro conquistou nove MTV Vídeo Music Awards. Poucos foram tão influentes, criativos e admirados. O vídeo de Sledgehammer, de Peter Gabriel, é um dos maiores clássicos desse formato. Passados 18 anos do seu lançamento, ele permanece encantador.

Um dos segredos do sucesso e da longevidade de Sledgehammer é o fato de ele ter sido todo feito de forma artesanal. Tudo o que se vê na tela é pura animação stop-motion, uma seqüência de centenas de takes estáticos com menos de um segundo de duração cada. Neste caso, o material que foi animado pela técnica inclui não apenas massinha de modelar, mas também pipoca, frutas, animais mortos, legumes, madeira, móveis, objetos diversos, pessoas reais, desenhos em giz sobre um quadro negro e até mesmo o corpo de Peter Gabriel.

O cantor não pôde cantar sua música normalmente diante da câmera. Como ele fazia parte dos quadros a serem animados, seus movimentos foram gravados detalhe por detalhe, como se ele também fosse um objeto inanimado. Isso gerou um efeito muito interessante, mas deu muito trabalho, tanto que Peter Gabriel costuma dizer que a gravação desse clipe foi uma das experiências mais dolorosas de sua vida.

Foram sete dias de filmagem. Para uma das cenas, Peter Gabriel teve que passar 16 horas deitado sob uma lâmina de vidro, com o rosto bem próximo a peixes que apodreciam rapidamente sob o calor dos refletores, tornando o ar quase irrespirável. Para a cena do quadro negro, seus cabelos foram esculpidos e reesculpidos com gel sucessivamente, para simular o efeito de movimento a bordo de um trem de montanha russa. Nuvens brancas foram pintadas e apagadas repetidas vezes sobre seu rosto, até que se obtivesse a ilusão de que elas atravessavam sua face como em um céu azul. Detalhe: para remover aquela tinta, era preciso esfregar bem.

Sem qualquer efeito digital, o videoclipe levou cerca de 30 dias para ficar pronto. A direção é de Stephen R. Johnson, mas a animação ficou a cargo da genial dupla de gêmeos norte-americana The Brothers Quay e dos talentosos jovens ingleses da Aardman Animation, incluindo Peter Lord e Nick Park, hoje mais famosos por terem dirigido Fuga das Galinhas e os filmes dos personagens Wallace & Gromit.

O clipe traz a influência de vários gênios das artes plásticas, sobretudo os surrealistas, mas não apenas eles. O céu azul a passar pelo rosto de Peter Gabriel remete a Renée Magritte, assim como a janela aberta no fim do vídeo. As imagens desenhadas com frutas e legumes são claramente inspiradas nas naturezas-mortas de Arcimboldo. Há desenhos abstratos que lembram muito o trabalho de Jackson Pollock. De ponta a ponta, vemos ecos de Salvador Dalí.

Outro aspecto notável é que o clipe ilustra de forma concreta, porém nonsense, as muitas metáforas da letra da música. A canção em si é cheia de imagens que remetem ao ato sexual (“Show me round your fruitcage / ‘Cos I Will be your honey bee / Open up your fruitcage / Where the fruit is as sweet as can be”) e a objetos fálicos e/ou penetrantes (“steam train”, “aeroplane flying”, “big dipper”, “bumper car bumping”). No entanto, a representação literal dessas figuras de linguagem no clipe – ainda mais sendo um trabalho de animação – dá um ar infantil ao vídeo, atenuando a carga sexual da canção. Mas que ninguém se engane: não é à toa que as primeiras imagens de Sledgehammer mostram espermatozóides reais em movimento. Aquilo nada mais é do que esperma superampliado.

 

Read Full Post »