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Posts Tagged ‘Elis Regina’

A revista Trip deste mês traz na capa um Michael Jackson vivo, cinquentão, negro e virgem em matéria de cirurgia plástica. É como Fujocka, especialista em tratamento de imagens, acredita que o ídolo estaria hoje se tudo tivesse sido diferente. A edição também mostra como Fujocka e alguns artistas imaginam que seriam Elvis Presley aos 74 anos, Elis Regina e Raul Seixas aos 64, Cazuza aos 51 e Janis Joplin aos 66. Aqui, só uma amostra dessa viagem:

Trip - Michael Jackson
Trip -Elis Regina
Trip - Raul Seixas

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O caderno Ilustrada, da Folha de S. Paulo, está completando 50 anos. Para marcar a data, a Folha Online criou uma página especial, em que relembra diariamente algumas matérias marcantes do suplemento, com destaque para algumas capas curiosas. Abaixo, alguns exemplos: o lançamento do disco Sign o’ the times, do Prince (meu favorito!), a primeira reportagem do jornal sobre o fenômeno Madonna (assinada por Ruy Castro!) e a matéria sobre o show Falso brilhante, de Elis Regina. Para dar uma olhada no especial, clique aqui. Lá dá pra ver essas capas em tamanho grande o suficiente para a leitura dos textos.

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Na semana passada, a TV Globo divulgou comunicado oficial informando o afastamento do ator Fábio Assunção, então protagonista da novela Negócio da China. Sempre que abordado sobre isso, Fábio prefere não falar, por se tratar de assunto pessoal. É um direito dele. Suas únicas palavras foram estas:

Em respeito ao enorme público que acompanha a minha trajetória profissional, aos colegas que tanto prezo e a imprensa, informo que, por motivo de saúde, deixo por prazo indeterminado a novela Negócio da China.

Meu carinho a todos e meu pedido que respeitem esse momento de luta, preservando minha família.

Que Deus ilumine meus passos na minha recuperação e com a confiança de que o mais breve possível estarei de volta para esse público que tanto amor me dá.

E eis que neste domingo chega às bancas a revista Veja com o ator na capa e a seguinte chamada: “A luta pela vida – O drama do ator Fábio Assunção para se livrar da cocaína é um alerta aos que minimizam o poder destruidor das drogas”. Na minha opinião, esta é uma das capas mais infelizes de uma revista que tem décadas de tradição em capas infelizes.

Se Fábio Assunção é mesmo viciado em cocaína – como tanto se especula – e está morrendo – como a chamada da capa sugere -, isso é um problema (gravíssimo) dele. E se ele não quer falar no assunto, ou não quer que sua família e seus amigos saibam, ou prefere esconder isso do público, ele tem esse direito. E merece ser respeitado, uma vez que Fábio nunca propagandeou o uso de drogas ou qualquer outro estilo de vida destrutivo, o que poderia influenciar negativamente uma quantidade imensa de pessoas.

A reportagem da Veja diz:

Fábio está longe de ser um encrenqueiro ou de fazer o marketing do vício, como a cantora inglesa Amy Winehouse. Não se pode dizer, no entanto, que não tenha responsabilidade sobre seus atos. Para o imenso público cuja admiração ele conquistou, sua recuperação pode ser um poderoso símbolo de vitória contra o vício.

Sim, a revista está certa, mas está errada em acreditar que tem o direito de chamar Fábio Assunção à responsabilidade e de expô-lo dessa forma. Cabe a ele decidir como lidar com seus problemas. A revista se mostra bem-intencionada, preocupada com suas dezenas de milhares de leitores, mas parece não ter se preocupado em dar um exemplo de ética, valor fundamental para uma publicação de tão grande alcance.

A matéria fala muito mais de Fábio Assunção do que do problema de saúde pública representado pelas drogas. Explorou-se mais o famoso do que o assunto. Não é à toa que não há uma única declaração do ator ou de seus familiares na matéria. Há, sim, uma declaração de Cláudia Abreu, ex-mulher de Fábio, mas, pelo que conheço dela e da revista, desconfio que a atriz não fazia idéia de que estava dando um depoimento para uma matéria de capa sobre a suposta luta de Fábio contra a cocaína.

Aproveito para relembrar algumas das piores capas da Veja:

1974-05-2929/05/1974: A fixação da revista por matérias sobre emagrecimento e boa forma é antiga. Esta, em seu aspecto gráfico, é de especial mau gosto. Não fosse pela chamada, “Tudo para emagrecer”, qualquer um pensaria se tratar de um crime horroroso.

 

1982-01-2727/01/1982: A morte precoce e inesperada de Elis Regina causou comoção na época, mas não motivou a revista a falar da perda da maior cantora do Brasil, e sim da “tragédia da cocaína”. A imensa perda cultural ficou em segundo plano, se tanto.

 

1988-03-23a23/03/1988: A revista sempre apoiou a direita, mas caprichou nessa capa histórica que ajudou a construir a imagem de Fernando Collor de Mello como um mítico caçador de marajás, exemplo solitário e grandioso de político honesto. Deu no que deu. Mas, verdade seja dita: Veja não estava sozinha nessa – a grande imprensa apoiou Collor em peso.

 

1989-04-2626/04/1989: O cantor Cazuza ficou tão transtornado com esta capa da Veja, que chegou a ser hospitalizado. A entrevista que ele dera à revista foi usada de forma reprovável. Na capa, um Cazuza assustadoramente cadavérico ilustrava a sensacionalista chamada “Uma vítima da aids agoniza em praça pública”. A abertura da matéria decretava sua morte: “O mundo de Cazuza está se acabando com estrondo e sem lamúrias. Primeiro ídolo popular a admitir que está com Aids, a letal síndrome da imunodeficiência adquirida, o roqueiro carioca nascido há 31 anos com o nome de Agenor de Miranda Araújo Neto definha um pouco a cada dia rumo ao fim inexorável. Mas o cantor dos versos ‘Senhoras e senhores / Trago boas novas / Eu vi a cara da morte / E ela estava viva’ faz questão de morrer em público, sem esconder o que está se lhe passando.” A repórter Angela Abreu, uma das responsáveis pela entrevista, se demitiu ao ver o que fora feito de sua apuração (na Veja, as matérias não são escritas por quem as apura, mas por redatores que recebem a apuração já pronta).

 

1993-09-1515/09/1993: A revista gosta de brincar com obras de arte clássicas para ilustrar toda variedade de assuntos em suas capas. Geralmente, o resultado é sofrível. Este Pensador de terno e maleta é apenas um exemplo, de fazer Rodin revirar no túmulo.

 

1994-08-1717/08/1994: Fernando Henrique Cardoso foi eleito presidente do Brasil pela primeira vez em outubro de 1994. No entanto, dois meses antes, a revista já o elegera em matéria de capa um tanto antecipada: “A infância de um vencedor – Como viveu até a adolescência o próximo presidente do Brasil”. Coisa feia de se fazer.

 

1996-03-1313/03/1996: Quando os Mamonas Assassinas morreram todos juntos em um acidente de avião, a revista publicou esta capa: “A injustiça da morte no auge”. Se foi acidente, de que injustiça a Veja estava falando? Injustiça divina? Do destino? Quem teria sido injusto, afinal?

 

1996-04-2424/04/1996: Foi acertado falar do massacre de Eldorado dos Carajás, uma carnificina que jamais deveria se repetir. Mas foi um bocado desnecessário estampar a capa com a foto de um cadáver ensangüentado, tão de perto. Talvez a intenção fosse chamar atenção para um crime grave ou obrigar o povo a encarar a realidade. Mas há maneiras mais respeitosas e eficazes (e difíceis) de fazer isso.

 

1997-09-1717/09/1997: “Eu fiz aborto”. Para ilustrar essa chamada, não sei o que foi mais inadequado: se os rostos felizes e sorridentes de algumas famosas, ou se as feições culpadas de outras.

 

2002-01-1919/01/2002: Com a morte de Cássia Eller, o assunto é, mais uma vez, o terror das drogas, não a grande e precoce perda de um talento que faria muita falta.

 

2005-04-0606/04/2005: A morte de João Paulo II foi ilustrada com uma horrenda e desnecessária expressão de dor do papa. A grandeza ficou só no título.

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A RollingStone brasileira deste mês, com Gilberto Gil na capa, traz uma lista dos cem melhores artistas da música popular brasileira em todos os tempos, segundo votação realizada pela revista com dezenas de especialistas. Como toda lista, gera discussão. Chico Science é mais importante que Vinicius de Moraes e Villa-Lobos? Renato Russo é superior a Ary Barroso? Mano Brown está acima de Cazuza? Max Cavalera é mais relevante que Braguinha? Lobão é maior que Orlando Silva? Marcelo Camelo marcou mais que Francisco Alves? Como assim, especialistas?

Veja os 20 primeiros colocados:

1. Tom Jobim
2. João Gilberto
3. Chico Buarque
4. Caetano Veloso
5. Jorge Ben Jor
6. Roberto Carlos
7. Noel Rosa
8. Cartola
9. Tim Maia
10. Gilberto Gil
11. Dorival Caymmi
12. Pixinguinha
13. Luiz Gonzaga
14. Elis Regina
15. Rita Lee
16. Chico Science
17. Paulinho da Viola
18. Vinicius de Moraes
19. Raul Seixas
20. Milton Nascimento

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Se todos os grandes nomes da MPB se dignassem a escrever suas autobiografias, a memória do país seria bem menos curta. Apesar de serem sempre parciais, os livros de memórias colaboram para a compreensão de momentos históricos, oferecem pontos de vista únicos, municiam pesquisadores e robustecem a cultura nacional. Isso vale também para biografias como “Eles e eu: memórias de Ronaldo Bôscoli”, escrito na primeira pessoa como se fosse pelo próprio biografado, mas, na verdade, redigido por Luiz Carlos Maciel e Ângela Chaves, a partir de uma série de entrevistas que fizeram com o compositor para esse propósito. O relato traz detalhes deliciosos sobre o surgimento da bossa nova e momentos da vida de artistas como Roberto Carlos, Elis Regina, João Gilberto, Nara Leão, Maysa, Vinícius de Moraes e muitos outros.

Grande parte das histórias contadas por Bôscoli não passam de meras curiosidades, mas muitas são interessantíssimas. Ele conta, por exemplo, sobre os trotes que Maysa adorava passar pelo telefone de madrugada, quando ligava para homens pobres e desconhecidos apenas pelo prazer de imaginar que, no dia seguinte, ninguém acreditaria quando eles contassem que tiveram um flerte com a grande cantora. O pior trote de Maysa, no entanto, foi contra o próprio Bôscoli, como parte de uma pequena vingança que o deixou em má situação.

Outra história reveladora está relacionada à morte de Elis. Ele conta que, no velório, Jair Rodrigues teve a coragem de gritar que muitos dos que estavam ali segurando as alças do caixão haviam ajudado Elis a se afundar na cocaína e morrer. Dias depois, em uma boate, Fafá de Belém, apontada por Bôscoli como uma das maiores parceiras de Elis nas drogas, teria arrastado o compositor até o banheiro apenas para que ele a visse jogando na privada toda a cocaína que trazia consigo, dizendo algo como “Olha o que eu faço com essa merda!”

Mas talvez a maior revelação de Bôscoli – co-autor de clássicos como “O barquinho”, “Lobo bobo”, “Saudade fez um samba” e “Você” – seja a de que ele parou de compor no momento em que Caetano Veloso e Chico Buarque despontaram na geração seguinte à bossa nova e ele se deu conta de que jamais conseguiria compor com a mesma qualidade e genialidade deles. Em silêncio e com humildade, Bôscoli passou o bastão.

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