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Posts Tagged ‘DVDs’

Finalmente vi, em DVD, “Uma verdade inconveniente” (“An inconvenient truth”, 2006), documentário que Al Gore encomendou ao diretor Davis Guggenheim. Fiquei revoltado! Porque a maior verdade inconveniente ali é o fato de que o filme não passa de uma propaganda política em longa-metragem, para ser exibida em cinemas, escolas e lares do mundo inteiro. Se Gore quisesse apenas alertar a humanidade sobre a destruição do planeta, ele nem apareceria no filme. Mas, não: o auto-intitulado ex-futuro presidente dos EUA aparece o tempo todo, é a grande estrela, mostrado como um homem superior em tudo, carismático, preocupado com questões que interessam não apenas aos norte-americanos. Mais do que isso: ele se preocupa em se mostrar mais preparado que George W. Bush, o homem que o venceu nas urnas. Com esse filme, Al Gore mostra que, no mínimo, quer tentar de novo se eleger à presidência dos EUA. Mas talvez seu intento seja mais megalomaníaco que isso: tornar-se um líder histórico do porte de Martin Luther King ou Gandhi, citados por ele no filme.

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Só agora resolvi comprar esse DVD do Moby. Mostra bem a personalidade do sujeito: clipes divertidos, jeito nerd, música eletrônica com alma. Os clipes são simpáticos, especialmente um que mostra uma banda de bebês rockstars. É bem engraçado o vídeo “Give an idiot a camcorder”, que tem uns 20 minutos e mostra os micos que Moby adora pagar mundo afora com uma câmera na mão. Se não fosse músico, ele poderia ser um comediante de mão cheia! Tem uma longa e boa apresentação dele no “Later with… Jools Holland” e um chatíssimo megamix de mais de uma hora de duração.

Ao inserir o DVD no player do computador, eu deveria entrar numa área exclusiva, com diversão online para aqueles que compraram o DVD. Só que essa área, aparentemente, não existe mais. Então me contentei em dar uma olhada nas fotos do cara. Algumas delas, feitas por ele mesmo. Mostro algumas aqui. Só não consegui encontrar foto dele da época em que ainda tinha cabelo. Curiosidade em saber como ele era. É fácil simpatizar com ele, não?

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O Daft Punk tem dois videoclipes que marcaram época (“Around the world” e “Da funk”), um apenas bonzinho (“Burnin’”) e dois fraquíssimos (“Revolution 909” e “Fresh”). Portanto, não dá mesmo para esperar muita coisa de uma coletânea de clipes do duo eletrônico francês.

Mas até que eles capricharam no recheio do DVD “D.A.F.T. – A story about dogs, androids, firemen and tomatoes”. Há making-of de todos os vídeos, comentários dos diretores (Michel Gondry e Spike Jonze incluídos) e remixes inéditos das músicas. Ainda assim, não é nada de mais. Recomendado apenas para grandes fãs.

De qualquer forma, é sempre uma delícia assistir ao clipe de “Around the world”, em que pessoas vestidas de andróides, caveiras, nadadoras cinqüentistas, gigantes de cabeças encolhidas e múmias dançam, cada grupo, uma coreografia diferente, calcada em um único elemento sonoro da música. Foi o jeito maluco e divertido que o francês Gondry encontrou de brincar com a idéia de que o videoclipe é uma representação visual da música. Assistindo-se ao making-of, você vê que fazer esse vídeo não foi tão fácil quanto aparenta.

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Em 1984, quando os Rolling Stones completaram 20 anos de carreira discográfica, seus shows já eram exatamente o mesmo best-of que são hoje, um set-list de clássicos do rock que se mantém praticamente inalterado. Madonna, por sua vez, 24 anos depois do lançamento de seu primeiro single, incluiu apenas oito dos seus 65 hits mundiais em sua mais recente turnê, a “Confessions Tour”, de 2006, lançada agora em DVD. Mais de 60% do show era composto por músicas novas e/ou obscuras. Ainda assim, a turnê se tornou a mais rentável de todos os tempos para uma cantora, com quase 200 milhões de dólares em ingressos vendidos. Longe de mim querer cometer o erro de comparar Madonna a Rolling Stones. Essa matemática toda é só para dizer que a façanha da loura não é para qualquer um.

“Confessions Tour” é provavelmente o melhor show já feito por Madonna, uma artista cujos espetáculos foram todos, sem exceção, marcos do show business, seja pela tecnologia envolvida, pelo figurino emblemático, o teor sexual, a iconografia, vendagem, controvérsias ou coreografias. Ao longo dos anos, ela desenvolveu e aprimorou uma fórmula própria para suas turnês, que consiste basicamente na divisão do show em blocos temáticos bem conceituados, repletos de números de dança que fogem do feijão-com-arroz pop e intercalados por intervalos que também são atrações em si.

Madonna é, sobretudo, uma mestre da imagem. E a “Confessions tour” é composta por várias imagens marcantes: Madonna surgindo de dentro de um imenso globo de espelhos, em “Future lovers”/“I feel love”; Madonna dançando num cavalo mecânico, em “Like a virgin”; Madonna atravessando o chão como se seu corpo fosse etéreo, em “Jump”; Madonna crucificada numa cruz espelhada, em “Live to tell”; Madonna ensandecida na performance individual e violenta de “Let it will be”; Madonna vestida de Tony Manero em “Music”; a coreografia de braços em “Fobidden love”; a burca esvoaçante da dançarina enjaulada em “Isaac”; a fabulosa coreografia de “Ray of light”; a transposição do parkour das ruas para o palco, em “Hung up”.

O repertório é eficaz. A técnica é perfeita. Os arranjos são ótimos. O visual impressiona. Cada número é digno de nota. Há uma enorme quantidade de informações visuais simultâneas para serem assimiladas pelo público, o que só deve ser possível assistindo-se a este maravilhosamente bem filmado e bem editado DVD. E Madonna continua dando conta do recado. É tanta coisa que pode até cansar. Sim, a estimulação visual é tão intensa que entedia os espectadores que não estão interessados em prestar atenção nos detalhes.

O primeiro bloco do show trata de superação. Em agosto de 2005, Madonna havia quebrado uma mão, a clavícula e três costelas ao ser derrubada por um cavalo, o que levantou a questão sobre se ela, aos 47 anos, seria finalmente obrigada a parar de dançar. Não parou. Três meses depois, ela já estava gravando o clipe de “Hung up”. Mais seis meses e a artista estreou a “Confessions tour”, em cujo palco ela completou 48 anos, em agosto de 2006. No número de abertura, ela exorciza o acidente. Vestida de dominatrix eqüestre, ela impõe respeito sobre homens caracterizados como cavalos, enquanto canta “Future lovers”/“I feel love”. Em “Like a virgin”, os telões exibem radiografias de seus ossos quebrados e vídeos antigos de jóqueis se acidentando, o pano de fundo para Madonna mostrar, sobre um cavalo mecânico, que está com as articulações perfeitas e em melhor estado que as da maioria dos mortais. A letra da música ganha outra conotação, em função do novo contexto visual – quando Madonna canta “Like a virgin touched for the very first time” ou “I made it through the wilderness / Somehow I made it through”, ela não parece estar falando de um homem que fez diferença em sua vida sexual, mas do cavalo que a fez quebrar os ossos pela primeira vez e de seu esforço em superar isso. Em “Jump”, o tema da superação se intensifica, com bailarinos fazendo acrobacias de tirar o fôlego.

O segundo bloco do show concentra as mensagens políticas e religiosas da cantora. Felizmente, seu discurso é sempre visual e o próprio show não deixa brechas para tagarelices. Apenas com imagens, Madonna convoca o público a salvar as crianças órfãs da África, prega o Evangelho, reivindica a paz entre judeus e palestinos, torce por uma maior liberdade para as mulheres muçulmanas, chama a atenção dos governantes para a fome mundial e o aquecimento global, compara o papa Bento XVI aos líderes da Ku Klux Klan e expõe George W. Bush, Tony Blair e Condoleezza Rice como farinha do mesmo saco que Saddam Hussein, Bin Laden, Hitler e Mao. Tudo isso sem pronunciar uma única palavra a respeito, apenas usando imagens sugestivas que recontextualizam suas canções.

A letra de “Live to tell”, por exemplo, sobre uma mulher desiludida com os homens, passa a ser a voz de Jesus decepcionado com a Humanidade, sem qualquer alteração nos versos, que se encaixam de forma surpreendentemente perfeita à imagem de Madonna crucificada. Ela canta: “If I ran away, I’d never have the strenght to go very far / How would they hear the beating of my heart? / Will it grow cold, the secret that I hide? / Will I grow old? / How will they hear? / When will they learn? / How will they know?” O discurso imagético de Madonna também dá novo significado a “Sorry” em sua versão remix, que deixa de ser o desabafo de uma mulher cansada de perdoar seu homem e passa a ser um tapa na cara dos governantes irresponsáveis.

O terceiro bloco do espetáculo é da Madonna roqueira e instrumentista. Ela mostra seus progressos na guitarra e no violão e dá tudo de si em “Let it will be”, cujo verso “Just watch me burn” poderia dar nome ao DVD, visto que a artista continua desafiando e expandindo os limites de sua resistência física, aparentemente sem medo do inevitável momento em que sua chama se extinguirá diante dos olhos frustrados de uma platéia que sempre quer mais.

O bloco que encerra o show é uma ode às pistas de dança. Começa com “Music inferno”, um mash-up de “Music” com “Disco inferno”, sucesso dos Trammps que integra a trilha sonora de “Os embalos de sábado à noite”. O filme é a inspiração máxima desse número, que é a síntese de Madonna como show-woman: muita dança, diversão, figurinos caprichados, referências artísticas, estilo, luzes, imagens de impacto e profissionalismo.

Para encerrar, “Hung up”. Quantos veteranos têm cacife para finalizar um show de forma apoteótica às custas de uma música lançada há apenas sete meses, como era o caso quando da estréia da turnê? Pois calhou de o hit mais recente de Madonna ser também: 1) o único single, em todos os tempos, a ter chegado em primeiro lugar nas paradas de mais de 40 países; 2) o compacto que está a um fio de se tornar o mais vendido entre os mais de 70 que Madonna já lançou e 3) a música que a fez igualar o recorde de Elvis Presley como artista que emplacou mais hits no Top 10 americano (36). Ela pode. E é de se tirar o chapéu, mesmo que você não tenha a menor paciência para Madonna. Como diz Tom Leão, é a mulher que trabalha mais duro no show business.

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