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Posts Tagged ‘crítica de filmes’

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Filme: The reader (EUA/Alemanha), 2008, de Stephen Daldry

 

Assista se… Você gostar de filmes delicados sobre as relações humanas.

 

O que faz valer seu tempo e dinheiro: 1) A maneira diferente e sutil de o filme abordar o Holocausto, ambientando toda a ação após a Segunda Guerra e levando em conta que o espectador sabe do que se tratou esse genocídio; 2) A atuação oscarizada de Kate Winslet, que faz jus à grande complexidade de sua personagem; 3) A personagem de Kate, Hanna Schmitz, tão dramaticamente rica, uma mulher que enternece por sua vergonha de não saber ler e assusta por ser capaz de monstruosidades.

 

Surpresa: 1) A nudez de Kate Winslet, bela e pertinente; 2) a boa atuação do jovem e desconhecido David Kross.

Cenas que ficam na memória: 1) Hanna espiando a nudez de Michael (David Kross) para lhe dar o troco por ele ter feito o mesmo com ela; 2) A iniciação sexual de Michael pelas mãos de Hanna.

 

Ponto fraco: O final desnecessário, que mostra Michael já maduro (Ralph Fiennes) indo a Nova York.

 

Moral da história: A realidade não é simplista. As pessoas são complexas demais para serem julgadas sob um único ponto de vista.

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Filme: Titãs – A vida até parece uma festa (Brasil), 2008, de Branco Mello

 

Veja se… Você tiver interesse nos Titãs ou em rock brasileiro em geral.

 

O que faz valer seu tempo e dinheiro: 1) O fato de que o filme conta a história dos Titãs sem precisar de narrações em off ou qualquer outro recurso explicativo – a edição bem amarrada de vasto e bem escolhido material de arquivo resolve tudo; 2) Ouvir os maiores sucessos da banda em volume altíssimo com som de cinema; 3) Relembrar a trajetória de um dos melhores grupos de rock que o Brasil já teve; 4) Rever ou descobrir as apresentações dos Titãs em programas de auditório dos anos 80 comandados por Chacrinha, Gugu, Faustão, Bolinha, Barros de Alencar, Sílvio Santos etc.

 

Surpresa: A enorme quantidade de material caseiro feito pelo próprio grupo. E não é que até aqueles que são perseguidos pelas câmeras de jornalistas e curiosos curtem brincar com uma na mão?

 

Cenas que ficam na memória: 1) Os integrantes da banda vestidos de super-heróis no programa do Gugu, fingindo salvar uma fã das garras de uma “aranha gigante”; 2) A banda reunida para votar quais músicas entrarão em determinado disco, ficando claro o deslocamento de Nando Reis em relação ao grupo, imagem que explica sua saída dos Titãs.

 

Ponto fraco: A insistência com que algumas imagens são mostradas, por mais tempo do que mereciam.

 

Moral da história: A banda sabe que encaretou e se acomodou, mas também sabe que tem um legado e tanto.

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Há pelo menos dois bons motivos para se assistir a Foi apenas um sonho (Revolutionary Road, 2008), novo filme de Sam Mendes:

1) O roteiro, adaptado de um romance de Richard Yates, tem diálogos ricos e tão verossímeis que fazem o espectador pensar em o que está fazendo de sua própria vida. São quase duas horas de DR, é verdade, o que talvez chateie algumas pessoas (não recomendo que casais em crise vejam o filme juntos). Mas o texto é preciso, alternando momentos de grande delicadeza com outros de uma crueza de dar pena dos personagens.

2) As atuações de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet são ótimas. Eles são bons atores desde sempre e conquistaram o estrelado com Titanic, há 11 anos. Mas agora eles estão afiados como nunca. Como a história é sobre a relação desgastada de um casal, algo tão familiar a todo mundo, talvez o filme fosse chato se os atores não tivessem atuações acima da média. Ambos estão igualmente bem. Chega a ser injusto que apenas Kate Winslet tenha sido indicada ao Oscar (por outro filme, The reader). DiCaprio merecia mais que Brad Pitt, indicado por O curioso caso de Benjamin Button.

Dado interessante: ao localizar a trama nos EUA dos 50, Sam Mendes torna ainda mais clara a mediocridade da vida em família que o casal principal leva. Afinal de contas, aquela foi a época áurea e mais emblemática do sonho americano, dos maridos bem-sucedidos, esposas exemplares e crianças felizes, sem nada fora do lugar. Ser infeliz num contexto como esse é ainda mais triste.

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O curioso caso de Benjamin Button é um filme doce e delicado que merece ser visto. O diretor David Fincher adaptou um conto de Scott Fitzgerald para falar de solidão, em especial a daqueles que nasceram fora de algum padrão estabelecido pela genética ou pela sociedade.

Bem cuidado em todos os aspectos, o filme não chega a ser a obra-prima que suas 13 indicações ao Oscar levam a crer que ele é, mas é realmente muito bonito, carregado da mesma dignidade de seu personagem-título. Maquiagem e efeitos especiais estão aliados de forma sublime para mostrar, de maneira convincente, a juventude e a velhice dos atores. A atuação de Cate Blanchett é excelente, como de costume, e a de Brad Pitt é “apenas” boa – o ator convence, mas não parece tirar todo o proveito que poderia do personagem único e rico em possibilidades que é Benjamin Button, um homem que nasce velho e vai rejuvenecendo até a morte.

Comparar o filme a Forrest Gump é inevitável. Ambos os roteiros atravessam várias décadas da História norte-americana e mostram amores de infância que duram para sempre. E assim como Gump, Button vê a vida como uma caixinha de surpresas e luta contra a adversidade de ter nascido diferente. Os dois crescem sem pai, amadurecem no mar e têm uma prova de fogo na guerra. Mas, apesar das semelhanças, são dois filmes bem diferentes, cada um com seus méritos.

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Seria leviano, e até preguiçoso, rotular O menino do pijama listrado (The boy in the striped pyjamas, 2008, EUA/Reino Unido), de Mark Herman, como mais um melodrama sobre o Holocausto protagonizado por criancinhas. O longa é construído de forma consistente e com bom gosto, sem apelações. E o diretor não perde tempo mostrando explicitamente o horror por que passavam os judeus nas mãos dos nazistas, porque não é necessário – o espectador já sabe disso.

A história é uma espécie de fábula sinistra, cujos personagens são a família de um comandante nazista e dois judeus prisioneiros da SS. E se um menino ariano alemão travasse amizade com um menino judeu através da cerca eletrificada de um campo de concentração? O filme trata disso, usando o olhar puro de uma criança para falar do absurdo do Holocausto.

Outro olhar importante no filme é o da mãe do menino alemão. É o ponto-de-vista da população que nada sabia sobre os horrores de Hitler, mas que em algum momento acabou se dando conta do que estava acontecendo e precisou fazer uma escolha – dificílima para uns, facílima para outros.

Outro êxito do filme é mostrar como o bem e o mal podem se confundir completamente um com o outro. E o desfecho é surpreende, pois vai bem mais longe do que o espectador poderia supor.

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novoseculoamericanoO documentário Novo século americano, de Massimo Mazzucco, deve ser visto, sim, mas com desconfiança e senso crítico aguçado. O início e o final do filme são repletos de informações comprovadas e já amplamente documentadas pela mídia. Por exemplo: o fato de que os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 foram usados pelo governo Bush como pretexto para invadir Afeganistão e Iraque, que nada tinham a ver com o crime, mas que eram regiões estratégicas por conta do farto petróleo do Oriente Médio. O longa fala também da manipulação do povo norte-americano pelo medo, da destruição do Iraque, da forma indigna como os soldados ianques tratam os iraquianos. Até aí, nenhuma novidade. O X da questão está no miolo do filme: a teoria de que a destruíção do World Trade Center e os outros ataques daquele dia fatídico foram orquestrados pelo próprio governo americano, não por Osama Bin Laden ou qualquer outro terrorista.

Até pode ser verdade. E a teoria é apresentada de forma plausível. Mas o documentário soa mais maniqueísta do que seria normal nesse gênero cinematográfico. Sua colcha de retalhos de supostas provas e depoimentos parece costurada para manipular a opinião pública. A ausência de todos os grandes críticos de Bush acende a luz vermelha do desconfiômetro. E o tom dramático da narração, aliado ao patético trailer sensacionalista do filme, fazem o documentário parecer, por vezes, coisa de maluco aficionado por teorias de conspiração.

O tempo dirá se Novo século americano tem ou não razão. Quem sabe a verdade sobre o 11 de setembro não começa a aparecer no governo Obama?

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Duas verdades sobre Mamma Mia!, de Phyllida Lloyd:

 

1) O filme é muito, muito bobo, uma comédia pastelão musical. O roteiro parece uma coleção de pretextos para justificar a presença de cada sucesso do Abba. Em alguns momentos, fiquei constrangido por Meryl Streep, uma das atrizes mais respeitadas do mundo. No papel principal, ela teve que se prestar a coisas como fazer cara de menininha amedrontada, agarrada às cobertas. No entanto, isso não quer dizer que ela tenha dado um mau passo ao aceitar interpretar a personagem. Pelo contrário: foi uma oportunidade de ela reafirmar seu talento e versatilidade, além de mostrar que canta muito bem.

 

2) O filme é muito divertido. É o mínimo que se poderia esperar de um musical calcado nas músicas do Abba. Imagine uma cena de casamento construída em cima do hit I do, I do, I do, I do, I do. Ou o som de Dancing queen levando todas as mulheres de uma ilha a pararem o que estão fazendo para dançar e gritar por liberdade. Ou Does your mother know embalando o rápido affair entre um jovem sarado e uma mulher madura. Ou Meryl Streep tendo sonhos de riqueza enquanto canta Money, money, money. É tudo muito animado, feminino e frenético. Sucessos como Gimme! Gimme! Gimme! (A man after midnight), Voulez-vous, Chiquitita, Super Trouper, Take a chance on me, The winner takes it all e Honey, honey crescem no cinema, com a ajuda de belas imagens de uma ilha grega e um som poderoso.

 

É filme pra fazer sorrir sem pensar.

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