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Archive for the ‘Videoclipe’ Category

Nos primórdios do videoclipe, a violência só se fazia presente nas letras das músicas, quando muito. Pouco a pouco, ela foi dando as caras, sugerida aqui e ali para contextualizar mensagens de paz. Até que a sugestão deu lugar à apelação. O engajado passou a conviver com o gratuito. E o protesto sucumbiu ao entretenimento. Arte? Liberdade de expressão? Abuso? Depende do caso. O fato é que a violência hoje está mais presente do que nunca nos videoclipes, dos mais deploráveis aos mais geniais. A lista abaixo traça uma linha cronológica das primeiras ocorrências significativas de violência em clipes musicais até os abundantes casos mais recentes, em uma vasta variedade de exemplos que vai do sublime ao ultrajante, do óbvio ao alegórico.
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1983: Beat it, Michael Jackson
Amarrados um ao outro, integrantes de gangues rivais duelam com canivetes. A luta chamou atenção, mas não chocou, porque tudo era coreografado como em um número musical de Amor, Sublime Amor (West Side Story). E no fim a paz é selada por uma coreografia. That’s entertainment! Assista!
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1989: Like a prayer, Madonna
Uma mulher é atacada por três homens. É tudo rápido, nada explícito. Nem fica claro se ela é apenas ferida ou se é estuprada e morta. O que importa é a mensagem contra o preconceito: quem leva a culpa é o inocente negro, enquanto os bandidos brancos escapam impunes. Assista!

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1992: Jeremy, Pearl Jam
Clipe inspirado no caso real de um adolescente que se matou em sala de aula. A versão original do vídeo, pouco vista, mostra o personagem principal enfiando um revólver na boca, sugerindo o suicídio. Mas a MTV suprimiu esse take e levou todo mundo a achar que ele mata os colegas. Assista!

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1992: Pinion, Nine Inch Nails
Um homem está completamente imobilizado, com a boca atada a uma tubulação de esgoto, obrigado a engolir o que desce de uma privada descarga abaixo. A coisa começa a ficar séria. Com visual moderninho, o vídeo é adaptado para uma vinheta da MTV, cortando a parte violenta. Assista!

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1992: Happiness in slavery,
Nine Inch Nails

Um homem nu se deixa aprisionar por uma máquina de tortura. Ele sente grande prazer enquanto o aparelho retalha seu corpo até a morte. Closes mostram uma garra metálica machucando sua genitália. Assista!
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1993: Prison sex, Tool

Clipe de animação feito com bonecos. É uma alegoria do abuso sexual de crianças. Embora seja artisticamente primoroso e trabalhe apenas com a sugestão de forma surrealista, a mensagem é clara e incômoda. Assista!

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1994: Sabotage, Beastie Boys
Sátira aos filmes B policiais dos anos 70. A violência aqui é sempre ridícula, para fazer rir entre clichês, caracterizações toscas e efeitos especiais sofríveis. Este clipe é figurinha fácil nas listas dos melhores de todos os tempos. Assista!

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1995: The thunder rolls, Garth Brooks
Depois de apanhar do marido, mulher o mata na frente da filha pequena. A esposa começa como vítima, torna-se assassina e acaba presa. O que Janie’s got a gun, do Aerosmith, apenas dava a entender em 1989 é explícito aqui. Assista!
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1996: Woman, Neneh Cherry
Obra prima em que a violência e outros vícios são revelados apenas por mímica. Um crime estúpido é mostrado sem ser mostrado de fato. Assista!

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1997: Smack my bitch up, The Prodigy
Clipe inovador em que o público vê tudo pelo ponto de vista de um determinado personagem. Na versão original, ele cheira pó, usa droga injetável, arruma briga numa boate, molesta mulheres, se embriaga, transa com uma prostituta e atropela uma pessoa. No fim, uma surpresa. Assista!
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1998: Turn the page, Metallica
Prostituta recebe cliente em casa e apanha dele na cama. A filha pequena dela está por ali tentando dormir, mas não consegue, por causa do barulho perturbador de sexo com violência, embora isso seja rotina ali. O clipe é bem realista, mas parece tentar propor uma reflexão. Assista!

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2000: Minha alma (a paz que eu não quero), O Rappa
Mostra a paz de uma favela dando lugar a uma explosão de violência. O ápice é quando um policial leva um homem desarmado para trás de um carro e o mata a queima-roupa, do mesmo jeito como já vimos várias vezes nos telejornais. Assista!

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2000: Blood freak, Necrophagia
Este é o clipe mais violento, explícito, perturbador e despropositado jamais feito. Homem assassina casal de namorados, estraçalha o corpo dela, devora algumas partes e depois se masturba e ejacula sobre o rosto desfigurado da vítima. Recomendo não assistir, mas está aqui o link do vídeo.
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2003: Wake me up when september ends, Green Day
É o mais famoso dos muitos clipes feitos na época para criticar o belicismo do governo George W. Bush. Cenas de guerra ilustram o medo de uma geração se perder em um novo Vietnã. Assista!
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2005: All about us, t.A.T.u.
Uma das garotas desta dupla russa aparece sendo gravemente agredida por um homem, em uma noite que deveria ser de sexo casual. Para não morrer, ela o mata. É a mesma história de sempre sendo repetida de forma cada vez mais óbvia. Assista!
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2007: Fluorescent adolescent,
Arctic Monkeys

Palhaços e homens à paisana tentam matar uns aos outros, e um deles acaba conseguindo. Ele questiona: “Como pudemos chegar a este ponto?” Seria uma proposta de reflexão sobre o avanço da violência? Assista!
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2008: Stress, Justice
Uma gangue aterroriza a periferia de Paris. Eles quebram tudo e provocam cidadãos comuns em um mundo sem polícia. Os agressores acabam engolidos pela própria violência. Assista!
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2008: Beliy Plaschik, t.A.T.u.
Condenada à morte, uma mulher grávida de oito ou nove meses é fuzilada pelo Estado. Um detalhe final dá a entender que ela era inocente, mas é tarde demais. Este clipe é um protesto contra a pena de morte. Assista!
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2009: Flash lights,
Kanye West feat. Dwele

Com muito glamour e sensualidade, um homem amarrado e amordaçado dentro de um porta-malas é assassinado a golpes de pá por uma linda mulher. E ponto final. O propósito parece ser apenas glamorizar a violência. Assista!
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2009: We are water, Health
Mocinha esquisita é perseguida por um homem. Quando ele a alcança e se posiciona para matá-la com um facão, ela vira o jogo ao cravar um graveto em seus testículos. Ela o desarma e o decapita, gargalhando aliviada ao sentir o sangue do algoz banhar sua face. Assista!
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2009: Running to the edge of the world, Marilyn Manson
O roqueiro mais maquiado do século 21 surra uma mulher até a morte neste clipe. A violência começa com socos e termina com cortes de gilete, apenas para escandalizar. Assista!
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2009: Wrong, Depeche Mode
Um homem acorda sozinho, amarrado, amordaçado e mascarado dentro de um carro em movimento na marcha à ré. Enquanto ele tenta se libertar, colisões e atropelamentos acontecem. Trata-se de uma violência cruel, cujo autor e seus motivos jamais conheceremos. Assista!
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2010: Window seat, Erykah Badu
A cantora tira a roupa pela rua, deixando os transeuntes chocados. Nua, ela tomba “morta” no asfalto, “atingida” por um tiro. Embora Erykah seja uma artista séria e diga que o clipe é um protesto contra o pensamento de grupo, não convenceu. Assista!
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2010: Telephone, Lady Gaga
Duas presidiárias saem na porrada, para tédio de algumas detentas e diversão de outras. Lady Gaga também está na cadeia e, assim que ganha a liberdade, ela mata todos os clientes de uma lanchonete por envenenamento. E depois dança entre os cadáveres. Assista!
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2010: Born free, M.I.A
O clipe alerta para um futuro possível, em que o exército dos EUA mata cidadãos americanos por motivos absurdos. Jovens são exterminados apenas por serem ruivos. É impactante vê-los explodindo em câmera lenta. Mas o recado é mais forte que a violência explícita. O mundo parece já estar acostumado. Assista!

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Semana passada, Lady Gaga lançou o videoclipe Alejandro, uma bobagem cara e pretensiosa que só se tornará clássica se for pelo viés do humor involuntário. O que mais gerou comentários nesse vídeo foi a constatação de que tudo nele já fora visto nos clipes de Madonna, como Vogue, que acaba de completar 20 anos e ainda merece atenção. Tanto que, em abril último, o seriado Glee levou ao ar uma paródia visual que recriava cada detalhe do clipe, com a atriz Jane Lynch – intérprete da personagem Sue Sylvester – no lugar de Madonna.

Vogue também é uma bobagem que mistura antigas referências, mas é bem amarrado por um conceito que une música, dança e vídeo de maneira indissociável. O clipe influenciou imediatamente o mundo da moda, da dança, das pistas e dos próprios videoclipes, tornando-se uma referência nova. Nasceu como um ensaio sobre o poder da imagem e hoje é um belo exemplo disso.

DANÇA: A coreografia criada para Vogue difere do habitual por ser centrada nos braços. Assim foi porque a inspiração era o voguing, estilo de dança originário da cultura gay nova-iorquina, surgido nos anos 80 e que simula poses e ângulos típicos dos ensaios de moda de revistas como a Vogue – daí seu nome. O voguing nasceu na ball culture, cenário gay que, desde os anos 60, reúne, sobretudo, homossexuais negros e latinos para disputar quem desfila melhor em uma passarela imaginária. Tudo isso era muito obscuro e restrito, a subcultura de uma subcultura, até ser reprocessado por Madonna em Vogue e ganhar o mundo de uma outra forma.

IMAGEM: Se a dança remetia às revistas de moda, o vídeo fazia o mesmo, só que Madonna foi beber de fontes mais antigas: a fotografia dos anos 30 e a era de ouro de Hollywood. Vogue procura emular uma estética eternizada no passado por grandes estrelas do cinema, como Jean Harlow, Carole Lombard, Greta Garbo e Marilyn Monroe. Aqui, os signos de glamour e beleza são os mesmos que compunham a linguagem dos fotógrafos Horst P. Horst, Clarence Sinclair Bull, George Hurrell, Ernest Bachrach e Eugene Robert Richee, responsáveis por lendárias fotos de moda e de divulgação de filmes nas décadas de 30 e 40.

MÚSICA: Vogue, a música, trazia para o mainstream o que havia de mais quente nos clubes noturnos de 1990, a house music – com isso, Madonna foi a primeira artista de grande porte a lançar uma faixa de trabalho baseada nesse estilo de música eletrônica. Cerca de dez anos antes, a house music só existia na cena dance alternativa de Chicago; no fim dos anos 80, começou a turbinar as versões remix de sucessos radiofônicos, para só em 1990 se tornar produto de massa pelas mãos de Madonna, em versão mais palatável.

LETRA: A letra da música, por sua vez, exalta o escapismo das pistas de dança, ao mesmo tempo em que cita e reverencia as tais estrelas do passado – Marlene Dietrich, Lauren Bacall, Ginger Rogers, Rita Hayworth, Katherine Hepburn, Grace Kelly etc. O verso “Strike a pose!” – “Faça uma pose!” – é o ponto de interceção entre a música (Vogue), a dança (voguing) e o conceito visual do clipe, baseado em poses clássicas.

Por tudo isso, ainda que seja uma bobagem, Vogue é ao menos uma bobagem consistente, um combo de vídeo, música e coreografia que jogou luz sobre uma subcultura, popularizou um estilo musical alternativo, reviveu os rostos da Hollywood clássica como referências de estilo, ajudou a definir a estética da época com sua fotografia em preto-e-branco e fez um sucesso estrondoso. Também merecem os créditos o produtor Shep Pettibone – co-autor e co-produtor da canção ao lado de Madonna – e o diretor do vídeo, David Fincher, que depois ficaria mais conhecido como cineasta, pelos filmes Clube da luta, Se7en e O curioso caso de Benjamin Button.

Abaixo, esquadrinho algumas das referências utilizadas por Madonna e Fincher no videoclipe:

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A referência visual mais clara de Vogue é a fotografia Mainbocher corset, imagem clássica clicada por Horst P. Horst em 1939.

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Outra foto de Horst P. Horst reverenciada em Vogue é esta de 1946, Carmen face massage.

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Outra citação ao fotógrafo Horst P. Horst está nesta releitura da foto Lisa with turban, de 1940.

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Madonna emula pose clássica da atriz alemã Marlene Dietrich, feita pelo fotógrafo Don English para divulgar o filme O expresso de Shangai em 1932.

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Citação a outra pose de Dietrich no mesmo ensaio de Don English.

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A atriz Jean Harlow (a bombshell original) e o fotógrafo George Hurrell (contratado da MGM dos anos 20 aos 40) também são fortes referências em Vogue. Este momento de Madonna no clipe remete a ambos, como mostra a fotografia de Harlow clicada por Hurrell.

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Outra fotografia de Jean Harlow feita por George Hurrell comprova a influência de ambos.

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Esta outra foto de George Hurrell mostra que até o vestido usado por Madonna em Vogue é similar ao que Jean Harlow trajava em seu clássico ensaio fotográfico. A frente-única branca e o cabelo louro platinado remetem também ao visual de Marilyn Monroe no filme O pecado mora ao lado, dirigido por Billy Wilder em 1955.

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Nesta cena de Vogue, o visual de Madonna presta homenagem à atriz Veronica Lake, cuja marca registrada eram as longas madeixas louras e onduladas jogadas para o lado direito. A imagem também usa um recurso que era muito comum nos anos 30 e 40 em fotos de divulgação de atrizes: o rosto duplicado por uma superfície espelhada, como nesta foto da atriz Sylvia Sydney feita por Eugene Robert Richee.

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Os jogos de sombras, ângulos, composições e alto contraste do fotógrafo Ernest Bachrach também foram fontes de inspiração para Vogue, como mostra esta foto da atriz Carole Lombard feita por ele. Já o figurino e o cabelo de Madonna nesta cena fazem menção a um famoso ensaio fotográfico de Marilyn Monroe.

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Nesta outra cena de Vogue, referências a cenários, poses e figurinos usados no passado pelas atrizes Carole Lombard (ela de novo!) e Katherine Hepburn. A foto desta última, no canto inferior direito, também é do fotógrafo Ernest Eugene Bachrach.

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Ao ver Madonna sendo penteada e maquiada no clipe de Vogue, difícil não lembrar desta foto de – sempre ela! – Marilyn Monroe.

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Greta Garbo, outra forte referência para Madonna em Vogue. A atriz, inclusive, encabeça a lista de estrelas citadas por Madonna na letra da música.

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E agora, com vocês, Vogue, de Madonna, dirigido por David Fincher:
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Veja outros posts da série “Os melhores videoclipes de todos os tempos”:

“Justify my love”, Madonna

“Everybody hurts”, REM

“One”, U2

“Sledgehammer”, Peter Gabriel

“Smack my bitch up”, Prodigy

“Trhiller”, Michael Jackson

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E outros posts sobre Madonna de que você pode gostar:

50 marcas de Madonna no mundo

Desvendando o clipe “Bedtime story”, da Madonna

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MADONNA: Ela é gene dominante no DNA de Lady Gaga. No clipe de Telephone, a influência de Madonna é notada mais fortemente na cena em que Gaga dança entre as celas do presídio. Tudo ali remete à Madonna do início dos anos 90: coreografia, figurino, cabelo, interpretação, atitude.

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MICHAEL JACKSON: A priori, qualquer videoclipe com coreografias coletivas e que conte uma história é descendente direto da obra audiovisual de Michael Jackson. Em Telephone, a referência ao mestre dos clipes é mais evidente no repentino passinho de dança que Lady Gaga faz ao sair da prisão. E a cena de dança no restaurante é uma espécie de atualização de Thriller: Gaga e Beyoncé dançam entre os mortos, inclusive citando um famoso passo que Jackson eternizou em seu clipe mais cultuado, como mostra a imagem abaixo.

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POP ART: A arte pop bebeu dos quadrinhos, e Lady Gaga bebe da arte pop. Das obras de Andy Warhol e Roy Lichtenstein, a cantora e o diretor Jonas Akerlund pegaram emprestados os enquadramentos, as cores saturadas, os diálogos econômicos, as onomatopeias em letras estilizadas e a inspiração para maquiagens e caracterizações marcantes.

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DAVID LACHAPELLE: A estética do fotógrafo americano está em cada frame de Telephone. É uma receita que mistura surrealismo, cores estouradas, sensualidade explícita, humor nonsense e cenários kitsch milimetricamente elaborados.

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KILL BILL: VOL. 1: A pick-up amarela do filme de Quentin Tarantino, nomeada Pussy Wagon, tem forte presença no clipe. Mas há outros elementos comuns, como a briga entre mulheres que realmente sabem lutar, os closes nos pés de Gaga (Tarantino é podólatra assumido), a banalização da violência, os cenários genuinamente americanos e os diálogos espirituosos:

You know, Gaga, trust is like a mirror – you can fix it if it’s broke, but you can still see the crack in the motherfucker’s reflection.”

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ASSASSINOS POR NATUREZA: Dirigido por Oliver Stone, este filme de 1994 também tem história assinada por Tarantino. Assim como Telephone, é protagonizado por uma dupla que cruza os EUA matando sem dó e com muito bom humor, findando por se tornar famosa. A cena inicial do filme, por exemplo, envolve dança, assassinato em massa e elementos americanos típicos num restaurante de beira de estrada, assim como no clipe de Lady Gaga. Veja:
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THELMA & LOUISE: Este filme de Ridley Scott, lançado em 1991, mostra duas mulheres que caem na estrada para fugir do tédio e, depois, da polícia. Pelo caminho, elas colecionam crimes – homicídio incluído – e registram esse momento único de suas vidas com uma câmera Polaroid. Alguma semelhança com o clipe de Lady Gaga? Telephone tem alguns frames quase idênticos aos de Thelma & Louise:

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CAGED HEAT: Filme B de Jonathan Demme lançado em 1974, cujo fiapo de história se passa num inacreditável presídio feminino onde as mulheres são gostosas e perigosas. Parece ser a maior referência para as cenas de cadeia e sensualidade lésbica de Telephone.
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Dito isto, é hora de rever Telephone, o novo clipe de Lady Gaga, com participação de Beyoncé e direção de Jonas Akerlund:

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Em vez de fazer uma lista dos melhores videoclipes dos últimos 10 anos, preferi começar enumerando aqueles que considero os mais influentes. São vídeos que ditaram ou refletiram tendências, estabeleceram marcos e provaram que o formato continua forte. Em ordem cronológica:

white stripes - fell in love with a girl2002: Fell in love with a girl, The White Stripes
Direção: Michel Gondry
Esta animação em stop-motion, toda feita com peças de Lego, fisgou o mundo pela criatividade e pela técnica, que, embora fosse artesanal, parecia digital. São apenas 2 minutos de rock urgente e arte pop, responsáveis por tornar famosa a dupla The White Stripes, que em seguida se tornaria um dos mais relevantes nomes da música nos anos 2000. E olha que seus integrantes sequer apareciam no clipe! Foi o triunfo da qualidade. O vídeo tem a cara do período e, de quebra, encabeçou um movimento espontâneo que solidificou o Lego como ícone pop retrô – hoje há móveis em forma de Lego, fotografias clássicas recriadas em Lego, capas de disco famosas em versões Lego etc. Assista!
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tatu - all the things she said2002: All the things she said, t.A.T.u.
Direção: James Cox
Meninas cada vez mais novas decidem experimentar o sexo com iguais. Há quem diga que isso acontece porque as adolescentes se sentem hoje mais confortáveis para sair do armário. E há quem diga que é puro modismo juvenil, uma questão de atitude, sem profundidade. Seja como for, grande parte das garotas deste tempo se identificaram com este clipe, que mostra a dupla de cantoras russas t.A.T.u vestida de colegial e se beijando diante de uma sociedade careta. A mensagem do vídeo é de libertação, passando a ideia de que o preconceito – representado por uma grade – isola os preconceituosos, não suas vítimas. Na vida real, as cantoras não são lésbicas, mas seu romance forjado fez tremendo sucesso e o videoclipe foi adotado como bandeira. Assista!
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johnny cash - hurt2003: Hurt, Johnny Cash
Direção: Mark Romanek
É o único videoclipe dos anos 2000 a figurar frequentemente nas listas dos 10 melhores clipes de todos os tempos, algumas vezes em primeiro lugar. Ninguém esperava que Johnny Cash, aos 71 anos, gravasse mais um disco. Muito menos que incluísse nele um cover de Hurt, música da soturna e hypada banda eletrônica Nine Inch Nails. Nem que ele se apropriasse da canção de modo a fazer dela sua nova marca registrada. Nem que Cash fizesse um videoclipe para ela, no qual se despede simbolicamente da carreira e da vida. Nem que ele e sua esposa, June Carter, que aparece ao seu lado no clipe, morressem pouco depois do lançamento. É um clipe lindo, singelo e que faz muita gente chorar. Quantos conseguem isso? Assista!
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george michael - shoot the dog2002: Shoot the dog, George Michael
Nenhuma outra época teve tantos videoclipes politizados quanto os anos 2000. Destes, a maioria protestava contra o governo Bush e seus anos de guerra, como Wake me up when september ends (Green Day), Boom! (System of a Dawn), Mosh (Eminem) e American Life (Madonna). Mas quem deu a largada nessa tendência foi George Michael, que em 2002 fez um clipe de animação em que o então primeiro ministro britânico Tony Blair era retratado como o cachorrinho obediente de George W. Bush, por sua vez mostrado como um imbecil belicista. O clipe fez um certo barulho. E conforme a opinião pública foi se voltando contra Bush, outros artistas seguiram o exemplo do cantor e lançaram videoclipes com o mesmo objetivo: frear o presidente. Assista!
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ok go - here it goes again2006: Here it goes again, OK GO
Direção: Trish Sie
Logo no ano de 2005, quando o YouTube foi lançado, a então desconhecida banda de rock americana OK GO fez sucesso no site com um videoclipe caseiro para sua música A million ways, cuja coreografia virou hit na web e é copiada até hoje. No ano seguinte, ainda de forma amadora, eles fizeram outro clipe tosco, porém genial, todo coreografado sobre esteiras, daquelas em que as pessoas se exercitam nas academias. Era Here it goes again. Resultado: a bandinha de garagem ganhou notoriedade mundial. Assim, eles mostraram que vivíamos uma nova era, em que uma câmera digital qualquer e uma boa ideia são capazes de levar alguém ao estrelato via internet. O videoclipe alcançou uma nova dimensão. Estava aberto o novo caminho, e ele vem sendo trilhado desde então por milhares de artistas, com maior ou menor sucesso. Assista!
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arcade fire - my body is a cage2007: My body is a cage, Arcade Fire
Edição: J. Tyler Helms, com imagens de Sergio Leone
Nos anos 2000, a classe média ganhou vasto acesso a internet rápida, equipamentos de captação de vídeo e ferramentas de edição. Com isso, ganharam força os fan-made videos, videoclipes caseiros feitos por fãs. Talvez o exemplo mais bem acabado disso seja o clipe que o até então anônimo J. Tyler Helms fez para My body is a cage, canção da banda Arcade Fire. Todo feito com imagens do cineasta italiano Sergio Leone, extraídas (sem permissão) do filme Era uma vez no Oeste (1969),  este clipe não-oficial virou hit na web, tornou conhecida uma canção que nem era música de trabalho da banda e inspirou muita gente a tentar fazer em casa outros casamentos perfeitos entre música e imagem. Não é um clipe oficial, mas funcionou como se fosse, talvez até melhor, quisesse a banda ou não. Assista!
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justice - dance2007: D.A.N.C.E., Justice
Direção: Jonas & François
Um videoclipe que é mais famoso que o artista. A dupla eletrônica francesa Justice ganhou notoriedade com este vídeo, embora seus rostos estejam sempre fora de quadro. O foco está nas mensagens que se multiplicam em profusão em suas camisetas, graças a uma animação simples, eficiente, criativa e cativante. Uma das mensagens diz “Internet killed the video stars”, em alusão a Video killed the radio star, clipe do Buggles que inaugurou a MTV em 1980. Essas “camisetas mágicas” geraram diversas imitações na TV (aberturas, vinhetas, comerciais) e inspiraram a criação de incontáveis camisetas mundo afora, tornando-se uma forte referência dos anos 2000. Assista!
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avril lavigne - girlfriend2007: Girlfriend, Avril Lavigne
Direção: The Malloys
Foi nos anos 2000 que a MTV e outros canais reduziram o espaço dedicado aos videoclipes em sua programação, preferindo os reality-shows. Mas foi também a época do advento da internet rápida e dos formatos compactos de vídeo digital, terreno que possibilitou a criação e vertiginosa ascensão do YouTube e outros sites de vídeo. Isso contribuiu muito para uma mudança radical na forma como consumimos entretenimento. Para medir a popularidade de um videoclipe, por exemplo, já não interessa muito a quantidade de vezes que ele foi exibido na TV. Além disso, o público já não telefona para as emissoras de TV pedindo para elas passarem seus clipes favoritos. O índice que importa agora é a quantidade de vezes que esse vídeo foi assistido no YouTube. Nesse ranking, Girlfriend, de Avril Lavigne, é o videoclipe mais popular desde a criação do site, em 2005, tendo sido visto mais de 127 milhões de vezes. Desde então, uma das grandes metas atuais de sucesso é desbancar Girlfriend da primeira posição. Ou seja: o videoclipe fez de Avril Lavigne um parâmetro da indústria – passageiro, certamente. Assista!
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weezer - pork & beans2008: Pork & Beans, Weezer
Direção: Mathew Cullen
Já foram feitos muitos videoclipes inspirados no cinema, na publicidade, fotografia, dança, artes plásticas e programas de televisão. Pork & beans, do Weezer, é inspirado na internet. Para este clipe, a banda reuniu uma penca de celebridades da web, numa brincadeira que faz muito sentido para milhões de internautas mundo afora. Estão no vídeo os sujeitos que misturaram Mentos com Coca-Cola, o fã que chorava implorando para que a mídia deixasse Britney Spears em paz e muitas outras celebridades instantâneas e passageiras das novas mídias. Não foi o primeiro clipe a integrar TV e internet, mas foi o que teve mais visibilidade e gerou mais repercussão, a ponto de vencer o Grammy de melhor videoclipe e fazer de Pork & beans a música de maior sucesso dos 17 anos de carreira do Weezer. Assista!
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beyonce - single ladies2008: Single ladies (put a ring on it), Beyoncé
Direção: Jake Nava
Nos últimos dez anos, não houve videoclipe mais imitado, parodiado e citado do que este. A coreografia dançada por Beyoncé – inspirada em um número de dança criado por Bob Fosse nos anos 60 – foi replicada na internet e na TV por apresentadores, cantores, humoristas, atores e anônimos. Nas festas, é comum alguém repetir os passos quando a música toca. No YouTube há uma quantidade incrível de referências a Single ladies, um clipe que não trouxe nenhuma novidade, mas que prende o olhar e é, talvez, o mais famoso dos anos 2000. Assista!

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everybody-hurts-michael-stipe-rem

REM - EVERYBODY HURTS - VIDEOEm algum lugar dos EUA, o trânsito está completamente parado. Os motoristas não conseguem avançar nenhum centímetro, e sequer sabem a razão de tamanho engavetamento. Cada automóvel é um pequeno recorte dessa realidade, cada qual com seu motivo para estar ali, com sua origem e seu destino. E dentro de cada carro, cada indivíduo está inserido em seu próprio universo de pensamentos e sentimentos, obrigado a olhar para dentro de si, na impossibilidade de vencer o trânsito.

A nós, espectadores, é permitido ler os pensamentos dessas pessoas, literalmente, através de legendas. Assim sabemos que uma mulher no limite da carência está ávida para ser paquerada por qualquer pessoa; um homem idoso parece pressentir que será deixado pela esposa e sofre muito com isso; um grupo de imigrantes teme perder sua dignidade; alguns apreciam o silêncio; outros, ficam muito incomodados com a situação; um garoto parece estar fugindo de casa; um homem não sabe como resolver um problema que o aflige; e Michael Stipe, vocalista da banda REM, tem em mente a letra de sua canção Everybody hurts. Enquanto isso, um religioso no alto de um viaduto lê o Evangelho enquanto vai jogando suas páginas ao vento.

Michael Stipe é o primeiro a deixar seu carro. Em dado momento, oprimidas pela situação e pelo que passa em seus corações e mentes, todas as pessoas abandonam seus automóveis simultaneamente, tomando a atitude libertadora de sair daquela inércia e levar suas vidas adiante, numa catarse coletiva sem precedentes. Algo tão impensável que vira notícia de jornal.

Assim é Everybody hurts, videoclipe dirigido pelo inglês Jake Scott, filho do cineasta Ridley Scott. Seu currículo inclui também os clipes Disarm (Smashing Pumpkins), Fake plastic trees (Radiohead) e Staring at the Sun (U2), entre outros. A gravação ocorreu na auto-estrada interestadual número 10 (I-10), em San Antonio, Texas, e resultou em um dos videoclipes mais poéticos já feitos, lançado em abril de 1993 para promover o quarto single a ser extraído do álbum Automatic for the people (1992).

Everybody hurts parece ter duas fortes influências cinematográficas. Uma delas é o filme alemão Asas do desejo (1987), de Wim Wenders, em que anjos invisíveis conseguem ler os pensamentos dos humanos. Clique aqui para ver uma cena do filme em que o espectador toma conhecimento do que pensam os passageiros de um vagão do metrô, de modo semelhante ao que acontece no clipe do REM.

Outra influência do cinema parece ter vindo do filme italiano Fellini 8 ½ (1963), de Federico Fellini, especificamente a cena de abertura, em que a câmera passeia pelas janelas dos carros presos num engavetamento, mostrando-nos o universo particular de cada motorista (clique aqui para ver).

Clique aqui para assistir ao videoclipe Everybody hurts, do REM.

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Esta semana, tive o privilégio de ficar a poucos metros de um de meus ídolos e ouvi-lo falar sobre seu trabalho: Michel Gondry, diretor de várias obras-primas do videoclipe, de alguns comerciais memoráveis e do filme Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Ele esteve na Central Globo de Produção, onde eu trabalho, para falar de seu processo criativo e de sua carreira. Gondry se mostrou muito bem-humorado, elegante e paciente. E, num breve instante, após a exibição de um comercial fantástico que ele fizera para a vodka Smirnoff, ele revelou o menino que tem dentro de si – para uma plateia embasbacada com a criatividade da narrativa e dos efeitos visuais do vídeo, ele comentou com orgulho de criança: “Gostaram da música (do comercial)? Fui eu que fiz!” Era Gondry mostrando que seu talento é ainda maior do que parece. E mostrando também por que ele diz que terá 12 anos para sempre.

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O ator e diretor Paulo José estava na plateia e fez questão de pegar o microfone em dado momento para homenagear Gondry, definindo-o de modo exemplar:

Michel Gondry é um artista cheio de ideias estúpidas. E muito originais. O que o caracteriza é a autenticidade. No fim de semana, fui a uma festa na casa da Mariana Ximenes, com uma gente toda elegante desfilando suas roupas, Luis Fernando Carvalho usando uma echarpe enorme e tal… E, de repente, aparece o Gondry, mais parecendo um entregador de pizza, numa simplicidade tremenda. Quando vi aquilo, lembrei de Grotowski e do nosso Boal. Assim como eles, Gondry não se engana, não se ilude. Ele desmonta a linguagem o tempo todo. Ele não tem um padrão de qualidade, coisa que temos tão forte aqui (na Globo). Ele inventa coisas insólitas e, ao mesmo tempo, tão comuns. Elas não nascem da racionalização, mas da fantasia. O roteiro de Amarcord, do Fellini, por exemplo, é de uma simplicidade absurda, mas parecia inviável. Assim é o trabalho do Gondry. Não é como o Syd Field, que te ensina a fazer um filme exatamente igual a todos os outros. As pessoas confundem originalidade com desordem, mas existe uma diferença entre fazer mal feito e fazer diferente.”

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A seguir, destaco alguns depoimentos dados por Michel Gondry durante o encontro:

O videoclipe como arte

Você pode ver o videoclipe apenas como uma ferramenta de promoção. E pode vê-lo como uma expressão artística. Nos 3 minutos do clipe, você tem muito mais informação do que nos 3 minutos da música isolada. Você consegue dizer mais no mesmo tempo. As canções, assim como os poemas, são cheias de passagens que fazem você se perguntar o que elas significam. O que eu não entendo na música, tento completar com minha visão. Crio o videoclipe como algo complementar à música.”

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“Eu uso os efeitos visuais como forma de expressão”

O efeito visual entra no meu trabalho para expandir a criatividade e dar mais profundidade a uma ideia.”

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“Só faço comerciais pelo dinheiro”

Ao fazer um comercial, você tem que ouvir a opinião de tanta gente, tem que agradar a tantas pessoas, que acaba não se conectando direito com o trabalho. Quem encomenda um comercial não quer que eu seja eu mesmo na criação, não confia em mim; então, não me sinto tão responsável pelo resultado. Não é como trabalhar com Björk, que confia totalmente em mim. É completamente diferente quando faço um filme, pois no meu filme eu posso fazer o que quiser, consigo dedicar mais tempo à criação do que à filmagem. Claro que fica um monte de gente dando opinião e que há uma troca com os atores, mas não há tanta interferência na criação.”

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“É muito importante saber vender sua ideia”

Para crescer e me desenvolver no meu trabalho, tive que aprender a escrever minhas ideias, pois é muito importante saber vendê-las. Quando fiz o primeiro clipe da Björk, por exemplo, ninguém me conhecia. Então, não bastava eu dizer que faria algo diferente e especial, eu tinha que apresentar um roteiro convincente. É bom, porque o roteiro também ajuda você a não se perder no trabalho, ele lhe dá uma direção a seguir.”

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De diretor de clipe a cineasta

Nos tempos de colégio, eu me destacava por desenhar muito bem. Minha especialidade era desenhar mulheres nuas, eu tinha uma técnica especial para isso. Quando entrei numa escola de desenho, tudo mudou: ali, todo mundo desenhava bem, eu não me sobressaía. E isso foi muito bom, me fez mais humilde. Algo parecido aconteceu quando eu saí dos videoclipes para o cinema: eu estava me metendo em um segmento onde eu não me destacava. E quando você muda de segmento, ninguém o incentiva, você tem que provar que é bom naquilo também.”

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“Dirigir um ator num filme é bem diferente de dirigir uma banda num clipe”

O ator está mais habituado com a câmera. O músico, não. A banda chega e diz que não precisa aparecer no vídeo. Daí você precisa desenvolver estratégias para envolvê-los. Você tem que levá-los na conversa para fazê-los gravar do jeito que você quer. Muitas vezes, a criação do clipe é toda minha; outras, a banda já chega com uma ideia e nós vamos aperfeiçoando-a juntos. No caso da Björk, a criação é sempre metade minha, metade dela, criamos juntos, um vai interferindo na ideia do outro, pois há muita confiança e afinidade entre nós.”

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“Por os problemas no papel funciona bastante”

O roteiro do meu primeiro filme, Human Nature, escrito por mim em parceria com Charlie Kaufman, era considerado infilmável. E isso era um estímulo para nós. Realmente, era muito difícil de fazer. Cheguei a ficar deprimido com a quantidade de problemas que o filme tinha e que eu não conseguia resolver. Então eu me isolei no campo, onde fui criado, e listei num caderno todos os problemas que eu havia identificado no filme. Depois, me dediquei a pensar em como resolver cada um deles, e acabei preenchendo o caderno inteirinho com soluções. E assim consegui realizar o filme. Funciona bastante pôr os problemas no papel, porque assim você consegue compreendê-los com mais clareza e se sente comprometido a resolvê-los. Em cada quadro do filme, tentei fazer algo que eu nunca tinha visto antes. E fiquei muito feliz com o resultado. Mas as críticas foram péssimas…”

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“As pessoas só falam de mim como o diretor de Brilho eterno de uma mente sem lembranças, mas não será assim para sempre.”

Já as críticas ao meu segundo filme foram todas excelentes. As pessoas só falam de mim como o diretor de Brilho eterno de uma mente sem lembranças, mas não será assim para sempre. Isso é um pouco chato às vezes, mas é natural. Quando fiz o primeiro clipe para Björk, as pessoas ficaram 5 anos só falando dele, mas depois fiz outros clipes e o foco foi mudando. Então, eu sei que Brilho eterno será por muito tempo o destaque da minha carreira, mas sei também que farei outros filmes e que isso vai mudar um dia.”

 

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madonna-justify-my-loveE lá se vão 19 anos desde o lançamento de Justify my love, aquele que para mim é o melhor videoclipe de Madonna. Feito em 1990, o vídeo marcou época e permanece atual, ousado e estiloso.

Naquele ano, para coroar o ápice de sua carreira, Madonna lançou sua primeira coletânea, The immaculate collection, que trazia apenas 2 faixas inéditas. Justify my love era uma delas. A música em si já era ousada: letra sexualmente delirante, vocais gemidos e base instrumental completamente diferente de qualquer coisa que tivesse feito sucesso antes. A cereja desse bolo seria o videoclipe. E foi. Mas não do jeito que se esperava.

Justify my love, o videoclipe, foi anunciado com pompa pela MTV mundo afora. Até que a emissora viu seu conteúdo e tomou a decisão de jamais exibi-lo, pelo menos não na TV americana. Isso porque suas imagens eram uma ode a comportamentos sexuais marginalizados, como homossexualismo, travestismo, voyeurismo e sado-masoquismo. O ápice era um explícito beijo de língua entre Madonna e a modelo brasileira Luciana Silva. E, no meio disso tudo, ainda havia a figura de Cristo crucificado, aqui e ali.

O vídeo foi proibido em diversos países, aumentando ainda mais a curiosidade acerca desse pornô soft de 5 minutos. Eram tempos pré-internet – não havia maneira de ver um clipe que não fosse pela TV. Esperta, Madonna  transformou Justify my love no primeiro vídeo-single da indústria, em VHS, e ele é até hoje o recordista de vendas desse formato. E a música, apesar de ser totalmente fora de qualquer padrão, se tornou um grande sucesso.

Dirigido pelo fotógrafo francês Jean-Baptiste Mondino, Justify my love tem imagens inspiradas na nouvelle vague e no filme ítalo-americano O porteiro da noite, de Liliana Cavani. Foi gravado no hotel Royal Monceau, em Paris, e tem o modelo Tony Ward no elenco.

Clique AQUI para assistir ao vídeo!

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