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Archive for the ‘Música’ Category

Clique aqui se quiser ler o texto deste blogueiro sobre o show curtinho e extravagente que Madonna fez no intervalo do SuperBowl, escrito para o site Madonna Online. Mais que um show, a apresentação foi uma demonstração de poder.

Apresentação completa (dura 12 minutos) aqui:



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É interessante observar a lista das músicas brasileiras que fizeram mais sucesso no país em cada ano (de 1902 a 2011). Cada época teve uma cara. Dos lundus ao sertanejo universitário, o público brasileiro já gostou de tudo. As canções românticas são a maior constante ao longo destes mais de cem anos. Há muitos artistas de um sucesso só, mas também há cantores que chegaram ao topo várias vezes, como Baiano (6), Francisco Alves (5), Roberto Carlos (5), Zezé di Camargo & Luciano (4) e Carmen Miranda (3). Algumas músicas foram esquecidas com o passar do tempo; outras se tornaram clássicos. Todas as composições são populares, obviamente, ou não teriam obtido tamanho êxito, o que não quer dizer que não haja obras-primas entre elas.

Dê uma olhada na lista – da Banda da Casa Edison (1902) a Luan Santana (2011) – e reflita… O gosto do brasileiro tem melhorado, piorado ou se mantido no mesmo nível de sempre? Qual a música mais recente a poder ser chamada de clássico? Qual a última obra-prima popular? Qual foi a melhor época das paradas brasileiras? As informações abaixo foram levantadas pelo Top 100 Brasil; não representam uma realidade absoluta, mas dão indicadores verossímeis que permitem refletir sobre a evolução do gosto musical do brasileiro médio.

2011: “Um beijo”, Luan Santana
2010: “Só rezo”, NX Zero
2009: “Agenda”, Ornella di Santis & Belo
2008: “Extravasa”, Cláudia Leitte
2007: “Natiruts reggae power”, Natiruts
2006: “É isso aí”, Ana Carolina & Seu Jorge
2005: “Eu amo”, Zezé di Camargo & Luciano
2004: “Vou deixar”, Skank
2003: “Tô nem aí”, Luka
2002: “Festa”, Ivete Sangalo
2001: “Quem de nós dois”, Ana Carolina
2000: “Amor I love you”, Marisa Monte
1999: “Sozinho”, Caetano Veloso
1998: “Cada volta é um recomeço”, Zezé di Camargo & Luciano
1997: “Palpite”, Vanessa Rangel
1996: “Garota Nacional”, Skank
1995: “Vira vira”, Mamonas Assassinas
1994: “Eu só penso em você”, Zezé di Camargo & Luciano & Willie Nelson
1993: “Que se chama amor”, Só Pra Contrariar
1992: “O canto da cidade”, Daniela Mercury
1991: “É o amor”, Zezé di Camargo & Luciano
1990: “Evidências”, Xitãozinho & Xororó
1989: “Bem que se quis”, Marisa Monte
1988: “Faz parte do meu show”, Cazuza
1987: “Que país é este?”, Legião Urbana
1986: “Demais”, Verônica Sabino
1985: “Dona”, Roupa Nova
1984: “Sonífera ilha”, Titãs
1983: “Menina veneno”, Ritchie
1982: “Muito estranho (cuida bem de mim), Dalto
1981: “Baila comigo”, Rita Lee
1980: “Balancê”, Gal Costa
1979: “O bêbado e a equilibrista”, Elis Regina
1978: “Outra vez”, Roberto Carlos
1977: “Amigo”, Roberto Carlos
1976: “Juventude transviada”, Luiz Melodia
1975: “Moça”, Wando
1974: “No silêncio da madrugada”, Luiz Ayrão
1973: “O vira”, Secos & Molhados
1972: “Ilu Ayê”, Clara Nunes
1971: “Detalhes”, Roberto Carlos
1970: “Foi um rio que passou em minha vida”, Paulinho da Viola
1969: “As curvas da estrada de Santos”, Roberto Carlos
1968: “Viola enluarada”, Marcos Valle & Milton Nascimento
1967: “Coração de papel”, Sérgio Reis
1966: “Quero que vá tudo pro inferno”, Roberto Carlos
1965: “Trem da onze”, Demônios da Garoa
1964: “Rua Augusta”, Ronnie Cord
1963: “Mas que nada”, Jorge Ben
1962: “O trovador de Toledo”, Gilda Lopes
1961: “Palhaçada”, Dóris Monteiro
1960: “Banho de lua”, Celly Campello
1959: “Estúpido cupido”, Celly Campello
1958: “Cabecinha no ombro”, Alcides Gerardi
1957: “Mocinho bonito”, Dóris Monteiro
1956: “Conceição”, Cauby Peixoto
1955: “Café soçaite”, Jorge Veiga
1954: “Teresa da praia”, Dick Farney & Lúcio Alves
1953: “Risque”, Linda Batista
1952: “Lata d’água”, Marlene
1951: “Vingança”, Linda Batista
1950: “Pé de manacá”, Isaura Garcia & Hervé Cordovil
1949: “Brasileirinho”, Waldir Azevedo
1948: “A saudade mata a gente”, Dick Farney
1947: “Copacabana”, Dick Farney
1946: “De conversa em conversa”, Isaura Garcia & Os Namorados da Lua
1945: “Maria Bethânia”, Nelson Gonçalves
1944: “Atire a primeira pedra”, Orlando Silva
1943: “A dama de vermelho”, Francisco Alves
1942: “Ai! Que saudades da Amélia”, Francisco Alves
1941: “Canta Brasil”, Francisco Alves
1940: “Dama das camélias”, Francisco Alves
1939: “O que é que a baiana tem?”, Carmen Miranda & Dorival Caymmi
1938: “Pastorinhas”, Sílvio Caldas
1937: “Carinhoso”, Orlando Silva
1936: “Pierrô apaixonado”, Joel & Gaúcho
1935: “Minha palhoça”, Sílvio Caldas
1934: “Cidade maravilhosa”, Aurora Miranda & André Filho
1933: “Alô, alô”, Carmen Miranda & Mário Reis
1932: “O teu cabelo não nega”, Castro Barbosa & O Grupo da Velha Guarda
1931: “Tico-tico no fubá”, Orquestra Colbaz
1930: “Pra você gostar de mim (tahi)”, Carmen Miranda
1929: “Gosto que me enrosco”, Mário Reis
1928: “Jura”, Aracy Côrtes
1927: “Anoitecer”, Gastão Formenti
1926: “Chuá, chuá”, Fernão & Romeu Silva
1925: “A casinha (a casinha da colina)”, Aracy Côrtes
1924: “O casaco da mulata”, Bahiano & Maria Marzulo
1923: “Tristezas do jeca”, Orquestra Brasil-América
1922: “Luar de Paquetá”, Bahiano
1921: “Esta nega qué me dá”, Bahiano
1920: “Fala meu louro”, Francisco Alves
1919: “Já te digo”, Bahiano
1918: “Ontem ao luar”, Vicente Celestino
1917: “Pelo telefone”, Bahiano
1916: “Flor do mal”, Vicente Celestino
1915: “Apanhei-te, cavaquinho”, Grupo O Passos no Choro
1914: “Atraente”, Grupo Chiquinha Gonzaga
1913: “Caboca di Caxangá”, Patrício Teixeira
1912: “O forrobodó”, Grupo Chiquinha Gonzaga
1911: “O meu boi morreu”, Eduardo das Neves
1910: “Canção do marinheiro (cisne branco)”, Eduardo das Neves
1909: “Choro epoesia”,Banda daCasa Edison
1908: “Os namorados da lua”, Mário Pinheiro
1907: “Ó, Minas Gerais”, Eduardo das Neves
1906: “Clélia (ao desfraldar da vela)”, Mário Pinheiro
1905: “Fantasias ao luar”, Banda da Casa Edison
1904: “Amor perdido”, Patápio Silva
1903: “Perdão, Emília”, Bahiano
1902: “A conquista do ar (Santos Dumont)”, Banda da Casa Edison

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Nunca me interessei pelos escândalos de Amy Winehouse. O que me escandalizava era o seu talento. Lembro perfeitamente de ter ouvido sua voz pela primeira vez em fevereiro de 2007. As notícias davam conta de que James Morrison e Amy Winehouse eram os vencedores dos Brit Awards de melhor cantor e melhor cantora naquele ano, mas eu não fazia ideia de quem eles eram. Então, no mesmo dia, baixei os discos dos dois. Achei Morrison apenas OK, quase chato. E fiquei bastante impressionado com Amy, que nunca mais saiu dos meus ouvidos.

Quando ouvi aqueles mp3 do álbum “Back to Black”, Amy tinha 23 anos e já flertava com a morte. Mas como ela ainda não era conhecida fora do Reino Unido, aquele meu primeiro contato com ela foi exclusivamente através de sua música, sem qualquer informação sobre sua vida, origem, hábitos, tipo físico, nada. O que ouvi me agradou muito e era mais do que suficiente: uma bela voz, interpretações com personalidade, arranjos de muito bom gosto, ótimas composições, sonoridade retrô, letras modernas. A cada nova audição, eu gostava mais daquelas músicas.

Eu não poderia imaginar que Amy Winehouse se tornaria um grande sucesso internacional. Suas canções destoavam demais da estética vigente nas paradas. Amy não tinha nada a ver com Britney Spears, Kelly Clarkson, Leona Lewis e suas demais colegas de geração, em nenhum aspecto. Ainda assim, ela acabou agradando tanto aos adolescentes quanto ao público maduro. Mas verdade seja dita: foi sua fama de encrenqueira que ajudou a disseminar sua música – uma pena.

Apesar de a obra-prima “Back to Black” ter sido o álbum mais vendido do mundo naquele ano, Amy era uma antiestrela por excelência. Sua bela voz não se prestava a malabarismos e exibicionismos. Sua interpretação era desprovida de pieguices e outros golpes baixos. Suas letras não faziam concessões ao politicamente correto. Seu visual era autêntico, estranho, suburbano, fora de moda, troncho, exagerado, improvisado, mas tornou-se uma marca registrada inspiradora. Seu comportamento era um desastre. Suas amizades só eram famosas nas delegacias de Londres. Suas entrevistas nunca trataram de dicas de beleza, sonhos de princesa, amores certinhos. Sua personalidade era à prova de estratégias de marketing e controle corporativo. Seu domínio de palco era quase nulo, uma vez que ela não dominava sequer suas paixões e vícios. Era total sua inabilidade para lidar com o estrelato, a mídia, o grande público, a indústria. Não era bonita nem gostosa. Ninguém gostaria de ser como ela. Ainda assim, Amy Winehouse triunfou comercialmente.

“Back to Black” era um em 2006/2007 e é outro agora em 2011. Quando o ouvi pela primeira vez, esse não era apenas um disco brilhante, era também uma força geradora de grandes expectativas. Se aquela fedelha fizera um trabalho tão bom aos 23 anos, o quão boa ela viria a ser na maturidade? Se já era tão prazeroso ouvir o álbum em mp3, como não seria ouvi-lo ao vivo? Mas hoje, infelizmente, “Back to Black” é, de certa forma, menos do que era então. É uma joia única que não terá oportunidade de ser superada nem desrespeitada pela artista que a criou. É a quase totalidade de um legado numericamente muito pequeno. É o ápice e o fim de uma cantora que nunca mais teve condições físicas nem psicológicas de criar e de se concentrar no trabalho. É o auge cristalizado de uma voz que, embora prescindisse de recursos tecnológicos para soar ótima, pouquíssimas vezes foi ouvida tão bem ao vivo depois desse registro de estúdio. É o triste som do que poderia ter sido, não mais o som doce do que poderá vir a ser.

Uma lástima. Mas as lágrimas secam por si mesmas, como ela cantou.

Clique aqui para ler também minha crítica sobre o show que Amy Winehouse fez no Rio de Janeiro em janeiro de 2011.











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Roberto Carlos completa agora 70 anos de vida. Desde a década de 1960, suas músicas embalam as jovens tardes de domingo, as quentes noites dos motéis populares, as altas vendagens natalinas, as celebrações religiosas, as ondas do rádio, as curvas das estradas perigosas, as biroscas mal frequentadas, os lares brasileiros. Quando Roberto já tiver partido, as pessoas citarão seus versos sem nem saber sua autoria, ao curtir detalhes tão pequenos de seus relacionamentos, ao enaltecer seus amigos de fé e irmãos camaradas, ao garantir que daqui pra frente tudo vai ser diferente, ao ensinar que é preciso saber viver ou simplesmente ao esquecer de tentar esquecer. Não fosse Roberto Carlos um tanto avesso à liberação de suas canções para trilhas sonoras, comerciais de TV e regravações, sua obra teria uma penetração inimaginável.

Em homenagem aos 70 anos deste grande nome da nossa música popular, destaco 70 versos que ele compôs e/ou gravou com sucesso e que estão diluídos para sempre no imaginário popular. Não são seus melhores versos, mas os mais famosos, aqueles que todo mundo ouve ou usa fora do contexto de suas canções. São versos com vida própria.

Quero que você me aqueça nesse inverno
E que tudo mais vá pro inferno

(Quero que vá tudo pro inferno, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1965)

 

O que é que você tem?
Conta pra mim
Não quero ver você triste assim

(Não quero ver você triste, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1965)

 

Eu te darei o céu, meu bem
E o meu amor também

(Eu te darei o céu, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1966)

 

Estou amando loucamente
A namoradinha de um amigo meu

(Namoradinha de um amigo meu, de Roberto Carlos, 1967)

 

Eu tenho tanto pra lhe falar
Mas com palavras não sei dizer
Como é grande o meu amor por você

(Como é grande o meu amor por você, de Roberto Carlos, 1967)

 

Daqui pra frente, tudo vai ser diferente
Você tem que aprender a ser gente
O seu orgulho não vale nada! Nada!

(Se você pensa, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968)

 

Meu bem, meu bem
Você tem que acreditar em mim
Ninguém pode destruir assim
Um grande amor
Não dê ouvidos à maldade alheia e creia
Sua estupidez não lhe deixa ver que eu te amo

(Sua estupidez, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969)

 

Jesus Cristo eu estou aqui!

(Jesus Cristo, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1970)

 

Não adianta nem tentar me esquecer
Durante muito tempo em sua vida eu vou viver
Detalhes tão pequenos de nós dois
São coisas muito grandes pra esquecer
E a toda hora vão estar presentes
Você vai ver

(Detalhes, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971)

 

Como vai você?
Eu preciso saber da sua vida
(…)
Vem, que a sede de te amar me faz melhor
(…)
Não deixe tanta vida pra depois
Eu só preciso saber…
Como vai você?

(Como vai você?, de Mário Marcos e Antônio Marcos, 1972)

 

Eu voltei, agora pra ficar
Porque aqui, aqui é meu lugar

(O portão, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1974)

 

Quem espera que a vida seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco ou viver na solidão
É preciso ter cuidado pra mais tarde não sofrer
É preciso saber viver

(É preciso saber viver, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1974)

 

Olha, você tem todas as coisas
Que um dia eu sonhei pra mim
A cabeça cheia de problemas
Não me importo, eu gosto mesmo assim

(Olha, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1975)

 

Você, meu amigo de fé, meu irmão camarada
Amigo de tantos caminhos, de tantas jornadas
(…)
Amigo, você é o mais certo das horas incertas

(Amigo, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1977)

 

Você foi o maior dos meus casos
De todos os abraços o que eu nunca esqueci
(…)
Esqueci de tentar te esquecer
Resolvi te querer por querer
(…)
Só assim sinto você bem perto de mim outra vez.

(Outra vez, de Isolda, 1977)

 

Amanhã de manhã
Vou pedir o café pra nós dois

(Café da manhã, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1978)

 

Você é mais que um problema
É uma loucura qualquer
Mas sempre acabo em seus braços
Na hora que você quer

(Desabafo, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1979)

 

Quando eu estou aqui, eu vivo esse momento lindo
Olhando pra você e as mesmas emoções sentindo
(…)
Se chorei ou se sorri
O importante é que emoções eu vivi

(Emoções, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1981)

 

Todo homem que sabe o que quer
Sabe dar e querer da mulher
O melhor é fazer desse amor
O que come, o que bebe,
O que dá e recebe

(Cama e mesa, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1981)

 

Nossa Senhora, me dê a mão
Cuida do meu coração
Da minha vida, do meu destino

(Nossa Senhora, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1993)

 

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Quando me perguntam como foi o show do U2 no Morumbi, sempre respondo dizendo que foi sensacional e inexplicável. Palavras podem descrever, fotos podem mostrar e vídeos podem demonstrar, mas a 360º Tour é uma experiência única no mundo do entretenimento, para ser vivida ao vivo, pessoalmente. Quem não a viveu pode apenas tentar imaginá-la. Ela é um novo parâmetro, o maior espetáculo da Terra.

O palco é uma arena redonda monumental, uma estrutura de formato sem igual, com 60m de altura e onde se apoia todo (ou quase todo) o equipamento de som e luz. A própria plateia é usada como cenário. O telão gigante, com 500 megapixels de definição, é circular e oferece uma visão única e privilegiada do show até a quem está no pior lugar do estádio, mesclando as imagens ao vivo com grafismos e efeitos fascinantes editados na hora. Como se isso não bastasse, o telão ainda se expande em todas as direções, até se tornar um colosso cilíndrico vazado do tamanho de um edifício. O som é projetado para todos os lados possíveis. Os efeitos de luz hipnotizam e preenchem o estádio inteiro, de um jeito que o faz parecer pequeno e deixa o espectador se sentindo transportado para uma dimensão onírica. Passarelas giratórias possibilitam que os músicos passem por cima do público. Unidos, todos esses recursos permitem que o espetáculo assuma as configurações visuais mais diversas e sensacionais – durante a apresentação da música “Vertigo”, por exemplo, luz e vídeo são usados para causar vertigem no espectador, literalmente. E tudo o que o vocalista fala é traduzido simultaneamente em legendas.

Fora tudo isso, há os fatores que não são novidade: a qualidade da banda, o carisma de Bono e a consistência do seu repertório.

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As pessoas são como elas são. Isso independe do que você pensa delas e de como você gostaria que elas fossem. Eu, por exemplo, adoraria que Amy Winehouse fosse uma pessoa centrada, focada na carreira, sóbria e lúcida o suficiente para fazer shows impecáveis. Mas isso é problema meu, não dela, porque ela simplesmente não é assim e sequer sabe que eu existo. Amy é como ela é, não como eu gostaria que ela fosse ou como eu acho que ela poderia ser. Sim, ela é uma compositora original, intérprete superinteressante, dona de uma voz incrível e de um estilo marcante e autêntico. Mas ela também é alcoólatra, anoréxica, bulímica, bipolar, desconfortável com o sucesso, insegura, desequilibrada, autodestrutiva e usuária compulsiva de maconha, cocaína, heroína e crack. Nesse contexto, o show que ela fez nesta terça-feira (11/1) na Arena HSBC do Rio de Janeiro foi o melhor possível.

Sim, Amy não mostrou qualquer domínio de palco. Mas ela não tem nem domínio sobre si mesma!

Sim, Amy muitas vezes atravessava o ritmo, mas isso sempre fez parte do seu estilo de interpretação ao vivo.

Sim, Amy errou a entrada de algumas músicas, mas isso não destoa em nada de sua personalidade e foi proposital em certos momentos, porque shows de soul permitem esse tipo de coisa, o que é sempre uma oportunidade para a banda mostrar sua competência.

Sim, Amy esqueceu trechos de algumas letras, mas isso não é nada para alguém nas precárias condições físicas e psíquicas dela.

Sim, o show durou “apenas” 1h20, mas teve quase 20 músicas – razoável para uma artista que só lançou dois discos – e estava perfeitamente estruturado em início, meio, apresentação da banda, fim e bis.

De resto, dentro de seus limites, Amy falou com o público, se arriscou uma vez no português, cumprimentou a plateia, dançou rapidamente, sorriu moderadamente e se despediu com sua falta de jeito peculiar. Estes são detalhes de praxe em qualquer show, mas verdadeiros luxos quando vindos de alguém que não consegue sequer zelar minimamente pela própria vida.

Por tudo isso, ignoro o que muitos críticos do show consideram “problemas”. Para mim, foi uma experiência muito especial ver Amy Winehouse ao vivo, pelo tanto que eu admiro seu talento, ou pelo menos sua parca discografia.

Quando a ouvi pela primeira vez, em janeiro de 2007, ao baixar o álbum Back to Black três meses depois de seu lançamento, fiquei maravilhado. Fora da Inglaterra, ela ainda não era famosa, nem se tinha notícia de seu estilo de vida desregrado, mas as letras e interpretações que ouvi naqueles mp3 já tinham sido suficientes para me fazer crer que aquela era uma grande artista e que ela talvez morresse muito em breve, vítima de seu descontrole. Desde então, eu desejei ouvi-la ao vivo, mas duvidava que isso fosse possível, até porque ela era praticamente desconhecida. Eu tive o prazer de apresentar sua música a alguns amigos, que também se apaixonaram por ela de imediato. Pouquíssimo tempo depois, era quase impossível encontrar alguém que não tivesse ao menos ouvido falar dela. Mas Amy já estava firmemente enraizada no olimpo de minhas preferências musicais quando o furacão passou.

Não foi pela imprensa, mas por ela mesma, através de suas músicas, que eu soube que ela era autodestrutiva, vulgar, descontrolada, triste, difícil, encrenqueira. Portanto, quando me encantei por Amy, ela já era desse jeito. Para mim, a única surpresa do show foi o fato de ela ter vindo. E já que ela veio, tudo mais era previsível. Eu estava ali para viver uma experiência improvável e longamente desejada. Fui sem ilusões e, portanto, voltei sem decepções. E não fui o único a sair de lá plenamente satisfeito, a julgar pela calorosa reação de grande parte da plateia. Amy nunca enganou ninguém, nem conseguiria se quisesse. Quem saiu do show de terça-feira decepcionado provavelmente entrou lá iludido ou desinformado.

Para mim foi um enorme prazer ver de perto aquela figura caricata e autêntica, talentosa e frágil, digna de admiração e pena. Principalmente na primeira parte do show, Amy comprovou seu valor como cantora, compositora e intérprete, dentro do seu possível e fiel a sua personalidade, amplamente conhecidos. As músicas se sucediam com leveza e até alguma sensualidade, incluindo várias joias do álbum Back to Black (“Tears dry on their own”, “Some unholy war”, “Just friends”, “Wake up alone” e a maravilhosa faixa-título), uma versão deliciosa de “Boulevard of broken dreams” (do repertório de Tony Bennett e Nat King Cole), uma faixa de seu primeiro disco (“I heard love is blind”) e a bela “I’m On The Outside (Looking In)” (gravada originalmente por Little Johnny & The Imperials em 1964).

Como previsto, o meio do show foi delimitado por uma ausência temporária e planejada de Amy, que deixou o palco livre para seu backing vocalist Zalon cantar “What’s a man to do” e “The click”, canções que ele gravou com Mark Ronson para um álbum solo. Depois disso, Amy voltou, mas seus pés já se afastavam rapidamente do chão, zonza que estava. A partir daí, o público lhe emprestou vigor para apresentar os hits “Rehab”, “Valerie” e “You know I’m no good”. A grande banda foi apresentada em longa exibição de seus ótimos talentos individuais. E o bis fechou o espetáculo com “Love is a losing game” e “Me and Mr. Jones”.

Mais do que isso seria impossível, assim como é impensável Bono não interagir com a plateia, Madonna não desafinar, Britney não usar playback e Jagger não requebrar. Era Amy Winehouse ali, ora! Todo mundo sabia disso. Ou deveria.

PS: Como curiosidade, segue link para o primeiro texto que escrevi sobre Amy Winehouse, com minhas impressões iniciais sobre o álbum “Back to Black”. É uma crítica escrita em fevereiro de 2007.

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Depois de uma sucessão de acertos na carreira, Lady Gaga mandou realmente mal com o lançamento de seu novo videoclipe, Alejandro. Como os anteriores, este está sendo comentadíssimo, mas negativamente. Até os fãs de Gaga lamentaram o fato de o clipe copiar – e mal! – vários trabalhos de Madonna. Não pegou nada bem para a popstar do momento. E eis que uma certa Alyssa, estudante universitária americana, aproveitou o momento para editar um vídeo ótimo que compara Gaga com Madonna, mostrando vários momentos de uma que se parecem demais com coisas que a outra já tinha feito. Como trilha sonora, Alyssa usou She’s not me, música chata e fraca da Madonna, mas que cabe como uma luva feita sob medida. Assista:

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