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Archive for the ‘Artes Plásticas’ Category

Eu pensava que David Hockney já tivesse morrido. Seu nome, nos últimos anos, só era lembrado como uma referência do passado. Até que eu me surpreendi ao ver as “pinturas” que ele criou em 2010 apenas arrastando seus dedos sobre as telas sensíveis de seu iPhone e de seu iPad. Aos 73 anos, o artista plástico britânico está expondo 300 dessas suas novíssimas peças em Paris. A exposição se chama Fleurs Fraîches e é de fazer Walter Benjamin psicografar adendo ao seu célebre ensaio A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica. Hockney andava sem motivação para pintar, até que foi atraído pela luminosidade e praticidade dos gadgets da Apple. O mais interessante é que os aplicativos que ele usa para desenhar armazenam o histórico de “pinceladas” de cada obra, da primeira à última, como se fosse um vídeo a mostrar como Hockney criou esses desenhos. Tais “vídeos” também fazem parte da exposição. Devem ser uma aula e tanto.

Abaixo, algumas das obras que David Hockney criou com iPad e iPhone:

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Há pelo menos 15 anos sou fascinado pelo trabalho de Norman Rockwell (1894-1978), ilustrador que, ao retratar o cotidiano dos EUA em milhares de capas e páginas de revistas ao longo de metade do século 20, findou por se tornar um grande pilar da identidade americana. Porém, apenas recentemente eu soube que Rockwell muitas vezes criava seus desenhos a partir de fotografias feitas por ele próprio. O Rockwell fotógrafo mantinha um imenso acervo pessoal de fotos do dia a dia americano, de onde pinçava imagens para compor esquemas que depois se tornavam cenas eternizadas pelo Rockwell desenhista. Muitas vezes, cada detalhe de uma única ilustração tinha origem em uma fotografia diferente. O processo é detalhado com riqueza no livro Norman Rockwell: Behind the camera, de Ron Schick, publicado em 2009.

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Em tempos de computação gráfica, a ilustração artesanal do gaúcho José Luiz Benício já não tem o destaque merecido. Mas esse grande artista nascido em 1936, e ainda na ativa, tem seu dedo no imaginário popular do brasileiro que consumiu cultura pop nacional nos últimos 60 anos.

O traço de Benício esteve nos cartazes de mais de 300 filmes brasileiros, como Dona Flor e seus dois maridos, Independência ou morte e todos os dos Trapalhões. Nos pôsteres das pornochanchadas, ele criou formas femininas que acendiam a imaginação dos adolescentes sem idade para assistir aos filmes. A imagem de Vera Fischer que ele criou para o cartaz de A Superfêmea é muito mais famosa do que o filme divulgava.

Benício esbanjou seu talento nas pin-ups que desenhou para a Playboy e outras revistas masculinas, nas capas e editoriais que fez para Veja e tantas outras revistas, nas campanhas publicitárias de grandes marcas, nos selos que fez para os Correios e nas capas de mais de 1.500 livros de bolso, como os romances baratos dos espiões Brigitte Monfort e K. O. Durban, da série ZZ7, grande sucesso das bancas de jornal.

Há outros bons exemplos do trabalho de Benício no ótimo blog La Dolce Vita, de onde tirei algumas destas imagens

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Quem passar por Londres até fevereiro de 2010 deveria visitar a Arts Gallery, para ver a instalação The all of everything, de Mike Ballard. Os desenhos PB do artista estão ocupando absolutamente todo o espaço da galeria – paredes, teto, piso, colunas. A obra pretende fazer uma releitura pop da história da arte, dos desenhos rupestres à atualidade. Ver-se dentro dessa instalação deve ser uma sensação interessante, no mínimo. O chato é que o clima por lá é de “vá antes que acabe” – a instalação foi criada para ser a última da Arts Gallery, cuja demolição será em algum momento de fevereiro, por conta das obras de construção de uma nova linha de trem. Quando a galeria vier abaixo, os desenhos de Ballard vão junto.








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helio oiticica

helio oiticica 01A morte de um grande artista é sempre triste, mas relativa. Porque, para a sociedade, sua importância está em sua obra e, em muitos casos, seu pensamento. É seu legado que o faz grande, e este permanece. Assim, sempre teremos Jobim, Tarsila, Machado, Elis, Nelson e todos os outros que fizeram nossa história e nossa identidade, e que seguem nos inspirando, entretendo, deleitando. Ou não?

Eu hoje chorei por um instante, aquele em que me dei conta de que jamais verei novamente um parangolé original de Hélio Oiticica; que precisarei voltar à Tate Modern, em Londres, se quiser rever um bólide autêntico assinado por ele; que agora, enfim, o mundo só dispõe de fotos e vídeos para conhecer a maior parte da obra desse artista, cujo acervo se queimou quase completamente em um incêndio na noite de ontem, na casa de sua família.

helio oiticica 03Filmes, livros e fotografias são excelentes para preservar a memória de um artista plástico, mas não substituem, nem de longe, a experiência do contato pessoal com seu trabalho. Especialmente no caso de Oiticica, cujas pinturas extrapolam os limites do quadro, criador de peças que só podem ser plenamente apreciadas se vestidas e movimentadas no corpo, autor de obras que proporcionam experiências e dependem da interação do público para fazer sentido.

(Será que eu deveria ter empregado os verbos no passado? Extrapolavam, podiam, dependiam?)

helio oiticica 04Quanto disso sobreviveu ao incêndio de ontem? E por quanto tempo mais sobreviverá? As primeiras notícias falam na destruição de 2 mil peças de Oiticica, 90% de tudo que ele produziu, US$ 200 milhões em arte. Ainda estão sendo contados os mais frescos cadáveres da cultura brasileira.

E quanto mais perderemos? Lembro de ter visto, em 1997, todo o acervo pessoal do cartunista Henfil amontoado em um empoeirado quartinho de empregada na Tijuca, exposto a toda sorte de incidentes domésticos que podem igualmente destruí-lo. Quantos outros patrimônios nacionais estão guardados de forma inadequada nas residências de seus herdeiros, ou mesmo de colecionadores e ladrões? Como bem escreveu minha amiga Daniela Name em seu blog, que outras importantes obras de arte se encontram agora acondicionadas de qualquer jeito, como fotos de família?helio oiticica 02

Resta-nos apreciar o legado imaterial de Oiticica, como sua influência nas artes em geral. Mas antes precisamos discutir o que é possível fazer para evitar que outras grandes obras se tornem simples memórias, se tanto.

helio oiticica - tropicália

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andy warhol

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Quando vi a capa da próxima coletânea de Madonna, Celebration, achei horrível, pobre, arremedo óbvio de Andy Warhol. Até que parei para pesquisar o trabalho do responsável pela arte: o francês Thierry Guetta, mais conhecido como Mr. Brainwash ou MBW. É um artista de rua com centenas de trabalhos espalhados pelos muros e fachadas de Los Angeles e Nova York. Sim, ele brinca com as marcas registradas de Warhol (e de Marcel Duchamp, e de Jackson Pollock), tomando assuntos e personalidades da atualidade como temas. Ver sua arte aplicada em grandes espaços tem um impacto muito diferente do de observar a diminuta capa de um disco. No fim das contas, virei fã de Mr. Brainwash. E já nem acho a capa do CD da Madonna tão ruim assim…

Mr Brainwash - Madonna CelebrationCapa da coletânea Celebration, de Madonna

 

Mr Brainwash - Madonna Celebration 02Capa do single Celebration, de Madonna

 

Mr Brainwash - Madonna e Angelina JolieMadonna e Angelina Jolie

 

Mr Brainwash - Madonna e Marilyn MonroeÁrvore genealógica: Marilyn Monroe, Madonna e Britney Spears

 

Mr Brainwash - Marilyn Moroe e Britney SpearsMarilyn Monroe e Britney Spears

 

Mr Brainwash - Madonna e Britney SpearsO famoso beijo de Britney Spears e Madonna

 

Mr Brainwash - Madonna e Britney Spears 02O beijo de Britney Spears e Madonna nas ruas

 

Mr Brainwash - Gentlemen prefer blondsOs homens preferem as louras

 

Mr Brainwash - Dr SpockDr. Spock

 

Mr Brainwash - Jack NicholsonJack Nicholson

 

Mr Brainwash - Michael Jackson - Circus girlMichael Jackson – Circus girl

 

Mr Brainwash - Kanye WestKanye West

 

Mr Brainwash - BeatlesThe Beatles

 

Mr Brainwash - Billie HolidayBillie Holiday

 

Mr Brainwash - John LennonJohn Lennon

 

Mr Brainwash - LA LakersLA Lakers

 

Mr Brainwash - Mohammed AliMuhammad Ali (Cassius Clay)

 

Mr Brainwash - Mohammed Ali 02JPGMuhammad Ali (Cassius Clay) em ação

 

Mr Brainwash - Morrissey - I'm throwing my arms around ParisCapa do single I’m throwing my arms around Paris, de Morrissey

 

Mr Brainwash - Rolling StonesThe Rolling Stones

 

Mr Brainwash - Rosa Parks - Martin Luther King Jr - Barack ObamaRosa Parks, Martin Luther King Jr. e Barack Obama

 

Mr Brainwash - RuaAlfred Hitchcock, Syd Vicious, Salvador Dalí etc

 

Mr Brainwash - Salvador DaliSalvador Dalí

 

Mr Brainwash - Star WarsStar Wars

 

Mr Brainwash - Super Barack Obama 01Super-Barack Obama

 

Mr Brainwash - Thelonius MonkThelonius Monk

 

Mr Brainwash - Jimi Hendrix

Jimi Hendrix

 

Mr Brainwash - Elvis Presley

Elvis Presley

 

Mr Brainwash - Michael Jackson

Michael Jackson

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